Aos cinquenta anos de trajetória jornalística, Ronaldo Brasiliense consolida em "Relatos da vida real" a sistematização de suas reportagens e os bastidores da profissão exercida na Amazônia, marcadas por desafios logísticos, ameaças à integridade física e confrontos com estruturas de poder, com o lançamento oficial do livro ocorrendo neste sábado (12), a partir das 18h, no Espaço Canto do primeiro andar do edifício Manuel Pinto da Silva, em Belém.
Trajetória Profissional e Contexto Histórico da Produção Literária
Ronaldo Brasiliense, reconhecido por sua longa atuação como repórter investigativo na Amazônia, assina sua primeira carteira de trabalho em 26 de agosto de 1976, no jornal, iniciando uma carreira que se estenderia por mais de cinco décadas e abrangeria transformações sociais, tecnológicas e políticas no país e na região.
A obra "Relatos da vida real", definida pelo autor como uma "quase memória", compila episódios marcantes da sua experiência profissional, incluindo a reportagem "Vale destrói a pré-história da Amazônia", inicialmente recusada por veículos tradicionais e posteriormente premiada com o Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2017.
O jornalista afirma que o jornalismo investigativo na Amazônia exige coragem para denunciar corrupção e arbitrariedade dos poderosos, configurando profissão de alto risco.
Repercussão Institucional e Perspectivas Futuras para o Jornalismo na Amazônia
A publicação do livro coincide com um momento de intensificação das discussões sobre preservação ambiental na região, enquanto Ronaldo ressalta que o desmatamento já possui mais de 50 anos de trajetória acumulada, associado a ciclos econômicos que incentivaram a grilagem de terras, exploração ilegal de madeira, garimpo, pecuária extensiva e expansão agrícola.
Segundo Ronaldo, a liberdade de expressão e a ousadia das redações já foram maiores em épocas anteriores; todavia, ele aponta que os tempos atuais representam uma redução significativa das garantias constitucionais para o exercício jornalístico, tornando-se essencial revitalizar mecanismos de proteção ao profissional que apura fatos em contextos adversos.
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