Ter um carro elétrico ou híbrido significa que, automaticamente, o seguro contratado é sustentável? Não é bem assim. A CNSeg (Confederação Nacional das Seguradoras) desenvolveu uma metodologia para avaliar quais produtos do setor realmente apresentam benefícios ambientais e sociais.
A ferramenta faz parte da TSS (Taxonomia Sustentável do Mercado Segurador) e funciona como um checklist para orientar as seguradoras na análise dos próprios produtos. A proposta é ir além da tecnologia do veículo e verificar se o seguro tem práticas e resultados que justifiquem sua classificação como sustentável.
Claudia Prates, diretora de Sustentabilidade da CNseg, disse, em nota, que o objetivo é oferecer ao mercado um roteiro estruturado para avaliar se um produto reúne características e evidências suficientes para ser classificado como sustentável, evitando que essa definição esteja associada apenas ao tipo de veículo segurado.
Não basta oferecer cobertura para um modelo elétrico ou híbrido. A seguradora também precisa demonstrar como o produto foi estruturado, quais medidas adota para atender esse público e de que maneira seus possíveis impactos ambientais e sociais são acompanhados.
Seguro exige estrutura especializada
O projeto considera diferentes critérios para avaliar a contribuição socioambiental dos seguros. Entre eles estão adicionalidade, materialidade, escalabilidade, inovação e mensuração de resultados. Também verifica a intenção sustentável do produto e a existência de indicadores capazes de acompanhar seus impactos.
Como os elétricos têm características diferentes das dos modelos a combustão, as seguradoras precisam avaliar se contam com oficinas capacitadas, assistência para pane elétrica, reboque até pontos de recarga e procedimentos adequados para lidar com baterias de alta tensão.
Mas quantas das cerca de 118 mil oficinas independentes existentes no Brasil, segundo o Sindirepa Brasil, estão aptas a atender esses veículos? Ainda não há um número nacional consolidado nas fontes consultadas. A disponibilidade de uma rede capacitada fora das concessionárias autorizadas pelos fabricantes é um dos pontos que merecem atenção.
Antes de contratar o seguro do seu elétrico, pergunte quais oficinas estão preparadas para reparar o modelo. Verifique se a apólice permite escolher a concessionária ou exige o uso da rede referenciada. Confira também a cobertura da bateria de tração, especialmente em colisões e outros sinistros.
Cheque se o cabo de recarga e o carregador portátil também estão protegidos. Para o wallbox residencial, confirme se é necessária uma contratação específica. Veja se há assistência quando a carga acaba e se o contrato garante o reboque até um eletroposto. Compare franquias, limites de guincho, condições e prazo de utilização do carro reserva.
A classificação e a sustentabilidade?
O checklist transforma os critérios da Taxonomia Sustentável do Mercado Segurador em uma análise prática. As empresas precisam apresentar evidências para que as instâncias de governança interna documentem e avaliem os resultados, segundo a CNseg.
A ferramenta utiliza um sistema de cores: verde para situações sem riscos relevantes à classificação; amarelo para pontos que exigem atenção ou informações complementares; e vermelho para questões que precisam de uma análise mais criteriosa.
Ao fim da avaliação, os produtos podem receber três classificações: sustentáveis, quando atendem de forma significativa aos critérios estabelecidos; práticas de contribuição, quando apresentam benefícios ambientais, sociais e de governança, mas não cumprem todos os requisitos de elegibilidade; ou não sustentáveis, quando o atendimento às exigências é limitado.
As seguradoras podem adicionar aos seus catálogos os produtos aprovados, com critérios definidos para contratação, precificação, gestão de sinistros e prestação de informações à Susep (Superintendência de Seguros Privados).
A proposta também traz uma nova visão sobre o papel dos seguros, que deixam de ser considerados apenas instrumentos de proteção financeira e passam a ser avaliados pelo potencial de incentivar a prevenção de riscos, a adaptação às mudanças climáticas e a adoção de boas práticas socioambientais.



