Charles Alcântara, auditor fiscal com 33 anos de carreira, sindicalista e ex-presidente da Fenafisco e do Sindifisco-PA, publicou uma carta aberta questionando os rumos da escolha do futuro titular da Fazenda do Pará. Embora reconheça a prerrogativa do governador eleito de escolher livremente seus auxiliares, ele lembra que a SEFA dispõe de auditores e fiscais experientes, qualificados e conhecedores da realidade tributária paraense.
O questionamento não se limita à origem geográfica do futuro secretário, mas envolve a valorização dos quadros da Fazenda e o espaço reservado à carreira nas decisões estratégicas. O texto levanta a hipótese de que nomes apresentados à transição possam manter vínculos profissionais com o grupo que hoje dirige a secretaria, embora nada tenha sido oficialmente confirmado.
A matéria recorda que, em 2019, a Fazenda paraense passou a ser comandada por um técnico vindo de Minas Gerais, cuja chegada foi associada, em relatos políticos da época, a interlocutores da equipe econômica do governo do ex-presidente Temer, especialmente ao grupo do ex-ministro Henrique Meirelles. Quase oito anos depois, a discussão sobre indicações externas volta à pauta.
Também circulam versões sobre a possível participação de consultores e técnicos ligados à atual gestão nos trabalhos preparatórios do novo governo. A colaboração de especialistas não representa, por si só, qualquer irregularidade, mas gera questionamentos sobre quem os indicou, a quem respondem e qual será sua influência nas futuras decisões.
Outro ponto de especulação envolve a eventual permanência de integrantes da atual cúpula fazendária no Pará depois da mudança de governo (Helder/Hanna), inclusive por meio de atividades de consultoria. Não há confirmação oficial, mas a especulação alimenta uma dúvida: a troca de governo significará também mudança de interlocutores?
Nos corredores da Fazenda, a discussão sobre a atual administração não se limita aos resultados da arrecadação. Envolve também métodos de gestão, relacionamento com os servidores e participação das carreiras nas decisões. Uma coisa é avaliar números. Outra é saber como foram alcançados e quem participou das escolhas.



