A Prefeitura de Itapecerica da Serra, município da Grande São Paulo, aprovou e disseminou material pedagógico destinado ao 3º ano do Ensino Fundamental que incluía ilustração gerada por inteligência artificial retratando um menino negro em uma lixeira vermelha, imagem que desencadeou imediata comoção entre pais, professores e setor educacional por sua carga racialmente ofensiva, apesar da alegação institucional de que o desenho foi produzido com auxílio de tecnologia digital.
Contexto Institucional e Procedimentos de Investigação
A Prefeitura Municipal de Itapecerica da Serra, por meio de sua Secretaria de Educação, validou e distribuído material didático com 25 páginas destinado ao Ensino Fundamental, no qual uma das ilustrações — gerada por inteligência artificial — representava um menino negro dentro de uma lixeira vermelha, integrando a atividade intitulada "A Missão dos Guardiões da ", proposta voltada à temática da reciclagem para alunos do 3º ano.
Apesar do processo de aprovação ter ocorrido sob a alegação de que o conteúdo foi elaborado com suporte tecnológico, a imagem provocou forte reação negativa da comunidade escolar, com pais e educadores manifestando descrença e repúdio à escolha do desenho, que foi interpretada como estereotipadora e ofensiva por abordar a negritude associada à coleta de lixo em ambiente escolar.
A instituição afirmou que todas as etapas de elaboração, revisão e inclusão do material serão objeto de apuração formal, incluindo a escuta de profissionais envolvidos no processo criativo e na curadoria do conteúdo pedagógico, com o objetivo de apurar responsabilidades e eventuais falhas nos protocolos de controle de qualidade.
Material com 25 páginas distribuído a alunos do 3º ano do Ensino Fundamental incluía imagem gerada por IA que representava menino negro dentro de lixeira vermelha.
Repercussão O ficial e Desdobramentos Administrativos
A Prefeitura Municipal emitiu desculpas formais às crianças, famílias e comunidade escolar pelo desconforto e preocupação gerados pela imagem, reiterando seu repúdio a qualquer forma de racismo ou discriminação racial no âmbito da educação pública.
O órgão informou que responsabilidades serão apuradas e que quem comprovar participação ativa na seleção ou inclusão da ilustração estará sujeito a medidas disciplinares e administrativas proporcais à gravidade dos fatos, conforme prevê a legislação municipal vigente.
Diante do episódio, o caso reforça a necessidade de protocolos rigorosos na curadoria de materiais didáticos digitais, especialmente quando envolvem tecnologias emergentes como a inteligência artificial.



