O deputado federal Júlio César, do PSD do Piauí, mantém em seu gabinete da Câmara dos Deputados a psicóloga Kennya Martins, nomeada como assessora parlamentar desde abril de 2024, apesar de a própria parlamentar e o parlamentar não terem conseguido esclarecer quais funções efetivamente exercem no âmbito da Casa.
Contexto Institucional e Investigação Parlamentar
A apuração realizada pela reportagem revelou que a Câmara dos Deputados pagou a quantia total de R$ 164.700 ao longo de dois anos e meio à Kennya Martins, profissional que consta como assessora parlamentar e também proprietária do Instituto Mundo de Dentro, clínica especializada em atendimento a crianças e adolescentes em Teresina (PI).
Conforme constatado, o salário mensal efetivo da psicóloga junto à Câmara é de R$ 7.300 – valor que já incorporou um reajuste inicial de R$ 5.400 no momento da nomeação – enquanto os serviços prestados presencialmente na clínica chegam a cobrar cerca de R$ 4.200 apenas pela avaliação neurológica, fato que suscitou questionamento acerca da legitimidade e da efetiva demanda institucional por tais serviços.
A Câmara dos Deputados desembolsou R$ 164.700 ao longo de dois anos e meio para uma psicóloga que cumpre atividades paralelas em Teresina e em instituições públicas do Piauí.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Institucionais
O próprio deputado Júlio César reconheceu desconhecer as funções exercidas por Kennya Martins em seu gabinete, afirmando tratar-se de uma responsabilidade de seu secretário, sem que este assumisse o compromisso de detalhar as atribuições ou justificar o custeio da nomeação.
Diante da ausência de clareza técnica acerca das atividades desempenhadas, a situação configura potencial violação aos princípios da legalidade orçamentária e da transparência na contratação pública, expondo o Poder Legislativo a questionamentos por parte da Justiça Federal e do Tribunal de Contas da União.



