No dia 23 de setembro de 2024, o ouro fechou em queda de 1,33% na Comex, cotado a US$ 4.318,40 por onça-troy, enquanto a prata registrou recuo de 2,35%, atingindo US$ 66,96 por onça-troy, em movimento impulsionado pela perspectiva de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve e pela apreciação do dólar diante da escalada das tensões geopolíticas no O riente Médio.
Contexto Macroeconômico e Dinâmica dos Mercados de Metais
A queda dos preços dos metais preciosos ocorreu em um cenário de fortalecimento do dólar americano e de retomada dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries), após a volatilidade nos mercados energéticos refletir o agravamento das relações entre Washington e Teerã. Na Comex, divisão da New York Mercantile Exchange (NYMEX), o ouro para dezembro encerrou a sessão com queda de 1,33%, para US$ 4.318,40 por onça-troy, enquanto a prata para o mesmo vencimento registrou retração de 2,35%, para US$ 66,96 por onça-troy. A correlação negativa entre os metais e o apetite por ativos sem rendimento — típicos em ambientes de política monetária restritiva — reforçou a tendência de desvalorização, ainda que os investidores mantenham atenção redobrada quanto à evolução da inflação e das decisões do Fed.
Nos últimos três anos, o Federal Reserve havia mantido uma postura de política monetária acomodatória, mas a primeira alta de juros em mais de três anos, realizada na semana anterior, sinalizou um novo ciclo de aperto. O presidente do Fed, Jerome Powell, e o vice-presidente da instituição, Michael Barr, reiteraram publicamente a necessidade de elevações sucessivas da taxa Selic para garantir que a inflação se estabilize na meta de 2% ao ano. Segundo o indicador FedWatch, do CME Group, as chances de um aumento de 50 pontos-base até dezembro subiram para mais de 70%, indicando expectativa de aperto contínuo que pressiona ativos como o ouro, historicamente sensíveis a juros reais positivos.
O ouro encerrou a sessão em US$ 4.318,40 por onça-troy, registrando queda de 1,33% na Comex em 23 de setembro de 2024.
Repercussão Política e Desafios para as Políticas Monetárias
As declarações do membro do Conselho Governador do Fed, Michael Barr, reforçam a visão de que novas altas de juros são inevitáveis no curto prazo para conter pressões inflacionárias persistentes. Em discurso à imprensa, Barr afirmou que 'novas altas de juros provavelmente serão necessárias' para que a inflação retorne à meta estabelecida pelo banco central norte-americano. Paralelamente, a agência Dow Jones Newswires reportou que o petróleo Brent subiu para US$ 102 por barril após cinco dias consecutivos de queda, impulsionado por tensões no O riente Médio e preocupações com oferta global.
Especialistas apontam que a combinação entre política monetária restritiva nos EUA e instabilidade geopolítica pode sustentar volatilidade nos mercados de commodities no curto prazo. Na análise do Zaye Capital Markets, Naeem Aslam destacou: 'A direção do dólar e dos juros dos Treasuries continua sendo crucial para determinar se a demanda geopolítica se traduz em uma alta ou baixa sustentada do ouro'. Diante disso, os próximos movimentos dependerão da condução do Fed e da evolução das relações com o Irã.



