O presidente da Argentina, Javier Milei, atribuiu a fatores externos a piora dos indicadores econômicos do país, após o risco-país superar 700 pontos. Em entrevista à Rádio Rivadavia, nessa quinta-feira (22/10), ele reconheceu que a economia cresce abaixo do esperado, que a demanda diminuiu e a inflação desacelera mais lentamente do que o previsto.
Apesar das dificuldades, ele defendeu as reformas de seu governo e afirmou que a continuidade do modelo depende da reeleição.
Milei apontou a alta dos juros nos Estados Unidos e as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio como fatores que pressionam a economia global e prejudicam os ativos argentinos. “A Argentina não é estranha a isso e está sofrendo as consequências”, afirmou.
O presidente, porém, sustentou que a situação seria pior sem as medidas adotadas por sua gestão.
O risco-país é o indicador que mede a percepção dos investidores sobre a capacidade de um país de honrar suas dívidas. Quanto mais elevado o índice, maior o custo de captação de recursos no mercado internacional, já que os credores exigem juros mais altos para compensar o risco.
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O presidente argentino Javier Milei participa da convenção nacional do Partido Liberal (PL) na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, Brasil, em 25 de julho de 2026
A deterioração econômica ocorre em meio às dificuldades enfrentadas pelas famílias. Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) mostram que a pobreza atingiu 32,3% da população argentina no primeiro semestre de 2026, cerca de 9,7 milhões de pessoas. A indigência chegou a 7,5%, enquanto a pobreza entre crianças e adolescentes de até 14 anos alcançou 44,5%.
Ao comentar as dificuldades para fechar as contas no fim do mês, Milei questionou como alguém poderia passar 10 dias sem dinheiro para comer. Ele também criticou o uso do cartão de crédito para financiar despesas, argumentando que a prática transfere o problema para o mês seguinte.
O presidente afirmou, contudo, que o governo compreende as dificuldades da população e insistiu que os resultados devem ser avaliados a longo prazo.
Reeleição como garantia de continuidade
Milei defendeu a manutenção de seu programa econômico e afirmou que as reformas foram planejadas para beneficiar a Argentina por décadas. Segundo ele, a reeleição confirmaria o apoio ao modelo de políticas fiscais e monetárias adotado pelo governo. “A confirmação do rumo vem com a reeleição”, declarou.
O presidente também atacou a oposição, a quem chamou de “orcs prontos para destruir tudo”, e afirmou que os problemas econômicos do país não podem ser resolvidos em apenas 30 meses de gestão.
O termo “Orcs” é uma referência às criaturas monstruosas e destrutivas da literatura, especialmente de “O Senhor dos Anéis”, usado por Milei de forma pejorativa para se referir a integrantes da oposição.



