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Economia

Gasolina sobe no IPCA-15: O que pode mudar no preço após a eleição?

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 19:06
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Gasolina sobe no IPCA-15: O que pode mudar no preço após a eleição?
Fatos Rápidos da Notícia
  • A gasolina ficou 0,92% mais cara no IPCA-15 divulgado nesta sexta-feira (23), a dois dias do segundo turno. Para quem abastece, a dúvida agora é o que pode acontecer nas próximas semanas. A resposta passa pelo petróleo, pelo dólar, pelas decisões sobre os tributos e não apenas pelo resultado das urnas.
  • A prévia da inflação avançou 0,32%, abaixo dos 0,43% esperados pelos analistas ouvidos pela Reuters. Energia elétrica e passagens aéreas ajudaram a conter o índice, enquanto os combustíveis pressionaram os preços.
Resumo Editorial

A gasolina ficou 0,92% mais cara no IPCA-15 divulgado nesta sexta-feira (23), a dois dias do segundo turno. Para quem abastece, a dúvida agora é o que pode acontecer nas próximas semanas. A resposta passa pelo petróleo, pelo dólar, pelas decisões sobre os tributos e não apenas pelo resultado das urnas.

A gasolina ficou 0,92% mais cara no IPCA-15 divulgado nesta sexta-feira (23), a dois dias do segundo turno. Para quem abastece, a dúvida agora é o que pode acontecer nas próximas semanas. A resposta passa pelo petróleo, pelo dólar, pelas decisões sobre os tributos e não apenas pelo resultado das urnas.

A prévia da inflação avançou 0,32%, abaixo dos 0,43% esperados pelos analistas ouvidos pela Reuters. Energia elétrica e passagens aéreas ajudaram a conter o índice, enquanto os combustíveis pressionaram os preços.

A gasolina subiu mesmo com a redução dos impostos federais. Mas esse dado, sozinho, não mostra quanto teria aumentado sem a medida. Para André Braz, economista do FGV/Ibre e Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, é possível haver alívio em relação a um cenário sem benefício, ainda que o consumidor pague mais do que antes.

Em outubro, a desoneração passou de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro de gasolina A, antes da mistura com etanol. Braz calcula que o reforço equivale a cerca de R$ 0,18 por litro vendido nos postos. Com repasse integral, teria potencial para aliviar a inflação em aproximadamente 0,14 ponto percentual.

Esse efeito não pode ser tratado como já incorporado ao IPCA-15. A coleta ocorreu entre 16 de setembro e 14 de outubro, e a ampliação foi anunciada no dia 9 de outubro. Estoques e datas de reposição influenciam a chegada da mudança aos postos.

“Minha avaliação é que a janela limita o efeito neste resultado, mas não permite dizer qual parcela apareceu”, afirma André Braz. Parte do repasse ainda poderá alcançar os próximos indicadores.

No cenário internacional, há outra variável. Os contratos futuros de petróleo tiveram mais um dia de forte alta nesta sexta-feira (23), com o Brent ultrapassando US$ 116 o barril e atingindo o maior patamar em seis meses. Como o movimento veio depois da coleta, o risco fica para os próximos indicadores.

“Não existe uma relação automática entre a variação do Brent e o reajuste na bomba”, explica Braz. Além do petróleo, entram na conta câmbio, preços internacionais da gasolina, custos de importação e decisões das refinarias.

A duração do benefício tributário também importa. A ampliação anunciada pelo governo vale por 30 dias, com possibilidade de prorrogação. E o encerramento da eleição, por si só, não determina a volta dos impostos.

Para dimensionar essa possibilidade, Braz simula a recomposição integral dos tributos, de uma só vez, com repasse completo e demais custos inalterados. Nesse cenário, uma gasolina de R$ 6,50 subiria perto de 9%, com impacto direto ao redor de 0,45 ponto percentual na inflação. Essa é uma hipótese de cálculo, não uma previsão de reajuste. Se outros custos caírem, o efeito poderá ser amortecido. E uma retomada parcial ou gradual dos impostos distribuiria a pressão no tempo.

Do lado das contas públicas, a Fazenda estima em R$ 3,6 bilhões o impacto das medidas para gasolina e etanol em 2026 e afirma que receitas extraordinárias do petróleo compensarão o custo.

Juliana ressalta que a confirmação dessa compensação depende das receitas e despesas efetivamente realizadas. Para a economista, acompanhar os preços em refinarias, distribuidoras e postos também é necessário para identificar quanto da redução tributária chegou ao consumidor.

Nas próximas semanas, esses movimentos poderão atuar em direções diferentes: novos aumentos dos custos internacionais podem pressionar a bomba, enquanto parcelas ainda não repassadas da desoneração podem conter a alta. Para saber quanto custará abastecer, será preciso acompanhar essa combinação.

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