Durante a O peração Cavalo de Tróia, deflagrada na manhã de 15 de novembro pela Polícia Civil com apoio do Gaeco, nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos em residências, gabinetes da Câmara Municipal de Macapá e no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), resultando no afastamento imediato do vereador Daniel Theodoro (PSOL), seu primeiro suplente, dois servidores públicos e o diretor do Departamento de Ressocialização e Cidadania do Iapen, suspeitos de participarem de um esquema que beneficiou integrantes da facção criminosa Família Terror do Amapá (FTA) com empregos públicos e vantagens no sistema prisional.
Contexto Institucional e Apuração da O peração
A investigação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime O rganizado (Gaeco) apura indícios de que pessoas vinculadas à FTA foram indicadas para vagas em empresas que prestam serviços ao poder público em troca de apoio político a agentes públicos e favorecimentos dentro do sistema prisional, inclusive benefícios a um dos líderes da facção que cumpre pena no Iapen; as diligências, que incluíram o sequestro de documentos e equipamentos, revelaram padrões de interferência na administração pública e na gestão penitenciária, com base em entrevistas, análise de planilhas e cooperação de delatores.
Antecedentes recentes indicam que a FTA tem histórico de atuação no Amapá, com vínculos com o tráfico local e histórico de influência em estruturas administrativas, o que reforça suspeitas de um esquema estruturado de corrupção que utilizava cargos públicos para garantir proteção e benefícios a seus membros, configurando crime contra a administração pública e organização criminosa.
Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos em pontos estratégicos da administração pública e prisional, evidenciando a dimensão estruturada do suposto esquema corruptivo.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Jurídicos
O presidente da Câmara Municipal de Macapá, Pedro Dalua, manifestou seu repúdio à deflagração da operação dois dias após a posse da Mesa Diretora, destacando que as buscas ocorreram em apenas duas salas da Câmara e que o alvo direto — Daniel Theodoro — é integrante da chapa vencedora, configurando possível viés político; ele ressaltou que a Casa não se opõe ao combate ao crime organizado, mas exige imparcialidade, legalidade e transparência na condução das investigações por parte das autoridades policiais.
A Justiça determinou medidas cautelares que proíbem os investigados de contatar líderes presos da FTA, bem como restringem seu acesso a órgãos públicos e sistemas institucionais ligados às suas funções, enquanto o delegado responsável pelo caso enfrenta pedido de afastamento cautelar pela Procuradoria da Câmara sob alegação de motivação alheia à investigação.



