O mercado financeiro trabalha com a perspectiva de que o ajuste fiscal será pouco eficaz para conter o avanço da dívida pública, um cenário que já pressiona o dólar e mantém os juros elevados. A dúvida entre agentes econômicos é se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguirá conter o crescimento das despesas de forma suficiente para estabilizar as contas e adequá-las às receitas.
Outro risco agora ganha espaço nas conversas do setor: as próximas indicações ao Banco Central. O receio é que Lula escolha nomes mais dispostos a reduzir os juros, mesmo sem uma melhora consistente nas perspectivas de inflação, o que poderia resultar no aparelhamento da instituição e na formação de uma maioria no Comitê de Política Monetária (Copom) capaz de aprovar cortes.
Duas cadeiras estão abertas desde o fim de 2025, acumuladas por Paulo Picchetti e Gilneu Vivan, enquanto outras quatro terão mandatos encerrados em 2027, somando seis vagas para preenchimento até o fim do próximo ano. Entre os nomes que circularam está o do economista André Roncaglia, atual diretor-executivo do Brasil no FMI, considerado heterodoxo, embora não haja indicação formal até o momento.
Participantes do mercado avaliam que o Banco Central funciona hoje como uma linha de defesa da política econômica, demonstrando disposição para conter a inflação mesmo diante da pressão por juros menores. Sem medidas fiscais capazes de estabilizar a dívida, o governo precisa oferecer juros maiores para se financiar, o que pressiona o câmbio, encarece produtos importados e contamina as expectativas de inflação.
