Um estudo internacional com participação brasileira identificou uma combinação de medicamentos capaz de reduzir em 45% o risco de progressão do câncer de pulmão ou morte em comparação com a quimioterapia tradicional. A pesquisa foi realizada em parceria com o Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e centros de 16 países, além de pesquisadores da AstraZeneca.
A investigação focou em pacientes com mutação no gene EGFR, que funciona como uma 'antena' celular responsável por sinais de crescimento e divisão celular, e que tiveram progressão da doença após tratamento com medicamentos que alteram a genética. Os cientistas propuseram bloquear dois caminhos simultaneamente, mantendo o uso do osimertinibe e adicionando o savolitinibe.
Mais de 300 voluntários participaram dos testes clínicos, divididos entre a nova dupla de remédios e a quimioterapia convencional. Quem recebeu a combinação inovadora permaneceu, em média, 7,6 meses com o tumor controlado, contra 5,4 meses no grupo que fez quimioterapia.
Após um ano de acompanhamento, 36% dos pacientes tratados com os dois medicamentos continuavam vivos e com o tumor sob controle, enquanto esse índice foi de apenas 10% no grupo da quimioterapia tradicional. A Dra. Clarissa Baldotto, pesquisadora do IDOR e coautora do trabalho, destaca que entender os motivos biológicos da resistência permite criar intervenções sob medida para cada mecanismo específico.



