A vitória do senador Sérgio Moro (PL) no primeiro turno da eleição para governador do Paraná representa uma consolidação do bolsonarismo na região Sul e uma derrota política para o governador Ratinho Jr (PSD), que renunciou ao cargo na reta final da campanha para apoiar o aliado Sandro Alex (PSD).
Contexto Institucional e Estratégia Política da Campanha
A apuração realizada pela Justiça Eleitoral e pelos tribunais regionais eleitorais confirmou a vitória de Moro com 56,1% dos votos válidos, enquanto Ratinho Jr. Registrou 43,9%, consolidando uma polarização ideológica que permeia o cenário político nacional. O ex‑governador, que ocupou a chefia do Executivo paranaense por dois mandatos, renunciou ao cargo em novembro de 2022, motivado pela estratégia de evitar associação direta com o candidato oficial do PL e maximizar a independência de sua imagem perante os eleitores.
Nos bastidores da campanha, fontes do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná indicaram que a decisão de Ratinho Jr. Se deu após intensas pressões internas do Partido Liberal, que buscava reforçar a presença de figuras next‑level no pleito. A ausência de um histórico político sólido para Alex, aliado pouco conhecido do eleitorado paranaense, reforçou a percepção de que a aposta do governador era transferir sua popularidade — avaliada em 58% de aprovação no final de 2022 — para um nome de fachada que não comprometesse a agenda partidária.
Moro garantiu 56,1% dos votos, superando Ratinho Jr., que somou 43,9%, em uma disputa que refletiu a magnitude da onda bolsonarista no Sul.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Futuro
O Ministério Público Federal no Paraná já sinalizou a abertura de inquérito para analisar eventuais irregularidades na renúncia de Ratinho Jr., considerando o risco de abuso de poder político para favorecer um candidato específico. Ao mesmo tempo, líderes do PL celebraram a vitória como marco da unidade partidária e como sinal de resistência às tendências progressistas que dominam os grandes centros urbanos.
Com a posse de Moro programada para janeiro de 2023, especialistas apontam que sua gestão deverá priorizar pautas alinhadas ao discurso conservador, como segurança pública e reformas econômicas, enquanto o governo federal deve pressionar por maior autonomia administrativa para o novo Executivo estadual.



