O Senado do Paraguai convocou o presidente Santiago Peña para comparecer nesta sexta-feira (6/11), às 10h, e apresentar sua defesa no julgamento político aberto contra ele. A convocação foi confirmada pelo presidente do Senado, Basilio Núñez, logo após o encerramento da primeira sessão do processo, às 21h. Núñez informou que Peña pode comparecer pessoalmente ou ser representado por advogados para apresentar os argumentos de defesa.
O julgamento teve início após a Câmara dos Deputados aprovar a acusação contra o presidente. A denúncia será sustentada perante os senadores por uma equipe composta pelos deputados Rodrigo Blanco, Raúl Benítez, Rocío Vallejo, Adrián Vaesken, Pedro Gómez, Mauricio Espínola, Luis Fernando Franco e Carlos Núñez Salinas. Segundo Núñez, o processo seguirá os prazos regimentais em cinco sessões extraordinárias e poderá ser concluído ainda nesta sexta-feira.
Para que a destituição de Peña seja aprovada, são necessários pelo menos 30 votos dos 45 senadores. Caso o afastamento seja confirmado, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá a Presidência da República conforme a ordem de sucessão constitucional. O processo foi aberto depois que uma sessão conjunta do Congresso para analisar a renúncia de Peña ficou sem quórum, com deputados do Partido Colorado deixando o plenário.
A crise política se intensificou após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank na terça-feira (3/11). O órgão identificou que o índice de solvência da instituição estava abaixo do mínimo exigido de 50%, suspendendo as operações e deixando quase 3 milhões de clientes sem acesso aos serviços bancários. Peña, que já foi acionista de um grupo ligado ao banco, era acusado de conivência com irregularidades relacionadas à instituição.
Em publicação nas redes sociais, Peña anunciou que exercerá seu direito de defesa e comunicou à população sua decisão de enfrentar o processo. Anteriormente, o presidente havia pedido desculpas aos paraguaios que perderam o acesso ao próprio dinheiro e afirmou que decidiu renunciar para preservar a estabilidade nacional. Ele declarou: “Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”.



