No domingo, 20 de setembro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, ao lado dos presidentes do Conselho Europeu, António Costa; do Quênia, William Ruto; e do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, um artigo que anuncia a criação do Parceiros para o Multilateralismo (P4M), iniciativa que busca revitalizar o multilateralismo em um cenário global marcado por crescente fragmentação e polarização geopolítica.
Contexto Institucional e Antecedentes da P4M
O anúncio foi formalizado por meio de publicação no Financial Times, poucos dias antes da 81ª Assembleia Geral da O rganização das Nações Unidas (O NU), que reúne líderes de 193 países em Nova York, nos Estados Unidos. O texto destaca que em 2025 foram registrados 65 conflitos armados entre Estados em 35 países — o maior número desde 1946 — e que as despesas militares globais atingiram US$ 2,9 bilhões, valor considerado recorde. Nesse contexto, os quatro líderes defendem a P4M como resposta institucional à necessidade de reformar estruturas multilaterais, especialmente o Conselho de Segurança da O NU, visando torná-las mais representativas, legítimas e eficazes.
A iniciativa se insere no plano de governo brasileiro de fortalecer o papel do Brasil como ator engajado no debate global, alinhado às prioridades do presidente Lula, que já havia manifestado críticas ao incremento dos gastos militares e ao enfraquecimento do multilateralismo em fóruns internacionais. A proposta busca criar uma rede flexível e aberta para países dispostos a superar divisões ideológicas e regionais, promovendo coalizões práticas para enfrentar desafios como mudanças climáticas, saúde global e transformações digitais.
Em 2025, foram registrados 65 conflitos armados entre Estados em 35 países e as despesas militares globais atingiram US$ 2,9 bilhões — valores recordes desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Repercussão Internacional e Perspectivas Futuras
As declarações dos líderes foram recebidas com cautela mista: enquanto alguns países europeus elogiaram a proposta como um impulso à diplomacia colaborativa, representantes de nações emergentes questionaram a efetividade real da P4M sem maior engajamento institucional. Autoridades da O NU reforçaram apoio à iniciativa, desde que complementada por ações concretas e não substitutivas ao sistema existente.
A P4M pretende avançar com reuniões periódicas de ministros das Relações Exteriores e com representantes de organizações regionais, com foco em elaborar propostas para a reforma do Conselho de Segurança até 2026. O governo brasileiro sinalizou interesse em liderar um grupo de trabalho sobre inteligência artificial e segurança sanitária, ampliando a agenda multilateral além da segurança tradicional.



