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Professor de lutas, Rangel Farias explica caminho do trauma até a fama

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 18:40
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Professor de lutas, Rangel Farias explica caminho do trauma até a fama
Fatos Rápidos da Notícia
  • Treinador e ex-atleta de lutas, Rangel Farias sempre foi ligado ao esporte, porém, quando tinha 16 anos sofreu uma agressão e perdeu o olho direito. O momento gerou raiva e um sentimento de vingança nele, que só seria curado através das artes marciais.
  • Hoje, o professor natural de Florianópolis é um sucesso nas redes sociais, onde conta com quase dois milhões de seguidores. Em entrevista ao Metrópoles, o treinador explicou o caminho do trauma até a fama.
  • Porém após um agressão em carnaval, durante um arrastão, aos 16 anos, perdeu a visão do olho direito e não pode mais praticar as modalidades, pois não conseguia performar do mesmo nível. Mesmo após várias tentativas para recuperar, não conseguiu e teve que colocar uma prótese.
Resumo Editorial

Treinador e ex-atleta de lutas, Rangel Farias sempre foi ligado ao esporte, porém, quando tinha 16 anos sofreu uma agressão e perdeu o olho direito. O momento gerou raiva e um sentimento de vingança nele, que só seria curado através das artes marciais.

Treinador e ex-atleta de lutas, Rangel Farias sempre foi ligado ao esporte, porém, quando tinha 16 anos sofreu uma agressão e perdeu o olho direito. O momento gerou raiva e um sentimento de vingança nele, que só seria curado através das artes marciais.

Hoje, o professor natural de Florianópolis é um sucesso nas redes sociais, onde conta com quase dois milhões de seguidores. Em entrevista ao Metrópoles, o treinador explicou o caminho do trauma até a fama.

Veja a entrevista completa:

Nascido em Florianópolis, Rangel Farias começou a sua vida nos esportes longe das artes marciais. Ainda pequeno, praticava atletismo, depois migrou para o futebol e surfe, sendo atleta do Avaí.

Porém após um agressão em carnaval, durante um arrastão, aos 16 anos, perdeu a visão do olho direito e não pode mais praticar as modalidades, pois não conseguia performar do mesmo nível. Mesmo após várias tentativas para recuperar, não conseguiu e teve que colocar uma prótese.

“Aos 15 anos de idade, o Avaí me botou na berlinda para eu escolher entre surfe ou futebol, os dois não tá dando. Aí eu escolhi o surfe. Um ano depois dessa escolha eu sofri uma agressão e perdi meu olho direito e aí não voltei a surfar no mesmo nível”, disse ele.

A perda do olho gerou uma raiva interna e despertou o sentimento de vingança. Rangel comentou que na época chegou a andar armado para se vingar e que se via como um justiceiro.

Porém, em certo dia, sua mãe o convidou para buscar seu irmão mais novo em um treino de Taekwondo. Ao chegar no local, viu o treinamento e sentiu que a dor que sentiu saiu.

“Eu aprendi a controlar naquele momento para não fazer besteira. E Deus existe, porque eu andei armado buscando vingança e Deus não colocou ele na minha frente, porque eu escolhi apertar o gatilho. Dali eu conheci a luta e canalizei aquela energia ruim que eu tinha dentro de mim para uma coisa positiva, hoje eu sou muito grato”, comentou o professor.

Após iniciar nas artes marcais, Rangel Farias iniciou carreira como atleta de lutas, tendo sido campeão no Taekwondo e Muay Thai. Porém, a carreira foi interrompida após romper todos os ligamentos do joelho.

O momento gerou a volta da raiva, desta vez por frustração pelo fim do que amava fazer.

“A frustração volta porque eu estava no auge da minha forma física e mental e eu rompi todos os ligamentos do meu joelho direito treinando Wrestling, treinando. Aquilo foi um momento muito sério. Eu tinha muita chama acesa dentro de mim ainda e eu sabia que eu não podia voltar aos ringues para lutar profissionalmente, aquilo foi muito traumático”, explicou Rangel Farias.

No momento, Rangel relatou que levava o espírito da luta, onde era necessário reagir e explodir, para a vida pessoa, o que machucou as pessoas que amavam e estavam ao seu redor.

A cura desta vez veio após outro fim, o deu seu relacionamento. Em término, a ex-parceira do professor falou algo que mudaria a sua forma de agir.

“Aos 40 anos eu sofri outra mudança. A minha mulher, a gente se separou, e ela virou e disse para mim ‘Eu te amo, mas eu tenho medo (de você). Não era medo de sofrer uma agressão, porque eu nunca agredi ela e sou totalmente contra agressão física, mas a explosão reativa”, relatou o professor.

Rangel é professor de Muay Thai

Ele é natural de Florianópolis

Após o fim da carreira como atleta, Rangel, que já era professor, se dedicou a profissão. Após o episódio com a sua ex-companheira, ele também percebeu que os alunos sentiam medo dele.

“A pior coisa que a gente busca criar em alguém é o sentimento medo e eu não sabia que eu fazia isso, era inconsciente. O meu poder de fogo é tão grande, que eu causo medo nas pessoas, e isso não é legal”, disse Rangel.

O treinador comenta que utilizava muita da demonstração, onde mostrava a sua imposição física, porém, que com tempo, terapia, aprendeu a desenvolver outras ferramentas de ensino.

O tempo passou e os alunos, que antes tinha medo dele, o presentearem com um telefone, para que ele pudesse compartilhar os seus ensinamentos das artes marciais nas redes sociais.

“Mas tudo passa, tudo passará”

Inicialmente, houve uma resistência de Rangel, que não acreditava e nem gostava da Internet, mas após o presente, ele iniciou. Três anos depois, o ex-lutador do UFC, Fabrício Werdum foi morar em Florianópolis e procurou o professor para treinar.

Após treinamentos, Werdum convenceu o treinador a compartilhar todos os ensinamentos que recebia durante os treinos. Os vídeos fizeram com que Rangel Farias se tornasse sucesso no meio digital e treinassem nomes importantes na luta, como Alex Poatan.

Reconhecido e contente, Rangel fez de um trauma o caminho para que encontrasse a felicidade e o fim do mágoa.

“Sim, hoje não passa mais pela minha cabeça, com toda sinceridade. Eu não tenho mais mágoa e ressentimento nenhum por aquele momento”, confessou o treinador.

Para Rangel Farias, a sua vida e as lições que passa para os outros pode ser resumidas em um trecho de uma canção de Nelson Ned.

“Mas tudo passa, tudo passará. E nada fica, nada ficará. Só se encontra a felicidade. Quando se entrega o coração.”, diz trecho da música Tudo Passará, de Nelson Ned e cantada por Rangel Farias em entrevista ao Metrópoles.

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