O PT avalia que o medo difundido pela campanha de um retorno da família Bolsonaro ao poder foi o fator-chave para entender a virada do presidente Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno da disputa.
A leitura é que o “pacote” apresentado pelos petistas — a possibilidade de perda de direitos, a ascensão de um político com histórico de envolvimento em irregularidades e, principalmente, a concentração inédita de poder em um grupo político dominante no Executivo, no Legislativo e no Judiciário — foi crucial para o resultado.
A campanha vitoriosa entende que foi esse medo que colocou em movimento milhares de pessoas, de forma orgânica, nas ruas e nas redes, e que o mérito da campanha foi alertar a população para essa possibilidade.
Nesse sentido, a interpretação é de que o que ocorreu foi muito mais uma derrota do bolsonarismo do que uma vitória da esquerda.
Isso porque os dados apontam que, mesmo com a vitória, a taxa de desaprovação do governo continuou alta, mas, segundo petistas, esse fator foi superado pelo receio da volta dos Bolsonaro ao poder.
Segundo uma fonte próxima ao presidente, ou se lê o resultado dessa forma, ou se erra com uma narrativa de autoelogio e falta de entendimento de que a população tem uma avaliação do governo distinta da do próprio governo.
O próprio presidente também concordou, em conversas internas, com essa leitura, apontando que coube principalmente à juventude liderar o movimento para derrotar o bolsonarismo.
A aposta agora é que o resultado aponte para os rumos do que deverá ser o governo Lula 4: com um Lula menos isolado, mais aberto a uma comunicação direta e digital com a população e com menos mediação da imprensa.
Há o entendimento, ainda, de que o presidente sai das urnas de forma diferente de como saiu em 2022. Naquele momento, avaliava que o resultado era uma consagração para ele, e não uma derrota de Jair Bolsonaro. Agora, entende que se trata de uma derrota igualmente apertada do filho de Jair Bolsonaro e pretende fazer mais acenos ao centro, mas sem necessariamente distorcer o projeto político à esquerda.
Lula quer se recompor com as lideranças políticas do Centrão que apoiaram Flávio no segundo turno, mas sem entregar a agenda completa ao grupo. Também pretende ter na condução econômica alguém com histórico de boa gestão das contas públicas, caso do nome atualmente cotado para o Ministério da Fazenda, Rafael Fonteles, governador do Piauí.



