No primeiro trimestre de 2024, o Brasil registrou o maior número de feminicídios desde o início da série histórica, com uma vítima mulher morta a cada cinco horas, evidenciando uma escalada crítica da violência de gênero que expõe fragilidades estruturais do Estado na proteção das mulheres.
Escala Alarmante e Desafios Estruturais da Violência de Gênero
A análise dos dados oficiais revela que 1.171 casos de feminicídio foram registrados entre janeiro e março, números que configuram um aumento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior e representam o pior trimestre da série histórica iniciada em 2016, conforme levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública; esse dado se insere em um contexto mais amplo de 14.325 ocorrências de violência letal contra a mulher no ano passado, indicando uma tendência preocupante de letalidade crescente.
Nos últimos cinco anos, a taxa média anual de feminicídios ficou em torno de 4,8 por cada 100 mil mulheres, mas o primeiro trimestre de 2024 já supera esse patamar com intensidade sem precedentes, refletindo falhas crônicas na prevenção, como a falta de políticas eficazes de educação e combate à impunidade, além da proteção insuficiente das vítimas por meio de dispositivos como os Conselhos Tutelares e as delegacias especializadas.
Uma mulher é morta no Brasil a cada cinco horas, sendo o primeiro trimestre o mais letal já registrado
Repercussão Institucional e Caminhos para a Redução da Letalidade
A Comissão Nacional da Mulher e o Ministério da Justiça convocaram reuniões emergenciais para analisar os índices alarmantes, reforçando a necessidade de acelerar a implementação das medidas previstas na Lei Maria da Penha, especialmente no que diz respeito à célere aplicação de medidas protetivas e ao fortalecimento das unidades especializadas na apuração de crimes contra a mulher.
Especialistas apontam que a solução exige não apenas investimentos em segurança pública, mas também uma transformação cultural que inclua educação para a igualdade de gênero desde cedo e maior responsabilização judicial, enquanto a sociedade civil pressiona por políticas públicas que vão além da reação tardia às violências.



