Em pronunciamento público que acendeu novas tensões entre os poderes Executivo e Legislativo, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), rebateu diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que declarou não disponibilizar recursos federais para salvar o Banco de Brasília (BRB), enquanto o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, concedeu prazo de 15 dias à União, ao Banco Central e ao Fundo Garantidor de Crédito para esclarecer o pedido de garantia estadual.
Contexto Institucional e Procedimentos de Apreciação do Crédito
A governadora Celina Leão, em resposta ao petista, enfatizou que o pedido de crédito de R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) será honrado integralmente pelo Distrito Federal, sem dependência orçamentária federal, argumentando que o BRB não é patrimônio partidário nem da administração distrital, mas um bem coletivo essencial para milhares de funcionários, empreendimentos e famílias da região.
O requerimento formal de garantia estadual ao BRB foi recebido pelo ministro Luiz Fux, que determinou a apresentação de esclarecimentos técnicos conjuntos da União, do Banco Central e do FGC no prazo estipulado, após investigação que aponta o banco atravessar sua maior crise financeira em razão de prejuízos bilionários decorrentes da aquisição de carteiras de crédito deterioradas do Banco Master.
O pedido de crédito do GDF ao BRB totaliza R$ 6,6 bilhões, enquanto o governo federal já garantiu R$ 20 bilhões em empréstimos a instituições como Correios e outros bancos públicos em 2025 e início de 2026.
Repercussão Política e Desdobramentos Jurídicos
A decisão do STF sob comando do ministro Luiz Fux eleva o caso a um debate mais amplo sobre responsabilidade fiscal e uso político de recursos públicos, com Lula afirmando que conceder apoio financeiro ao BRB configuraria uma 'arma eleitoral' e violaria o princípio da isonomia entre os entes federativos.
A governadora Celina Leão repudiou a acusação de instrumentalizar o banco como ferramenta política, defendendo a necessidade de transparência na operação e reafirmando que o DF se comprometeu a cumprir suas obrigações financeiras independentemente da gestão federal.



