O chanceler sírio, Asaad al-Shaibani, anunciou neste sábado (31/10) que há discussões em curso para avaliar a adesão da Síria à aliança militar conhecida como “Otan islâmica”. A declaração foi feita durante uma conferência no Bahrein.
A aliança foi instituída pelo Acordo Conjunto de Defesa de Meca, assinado em agosto por Arábia Saudita, Paquistão e Turquia. O modelo prevê compromisso mútuo de ação militar caso um dos membros sofra ataques, espelhando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
O pacto surgiu após a retomada das hostilidades entre Arábia Saudita e os Houthis do Iêmen. Em julho, uma trégua mediada pela ONU e firmada em 2022 foi rompida, após o grupo acusar forças sauditas de bombardear o Aeroporto Internacional de Sanaa. Desde então, houve troca de ataques aéreos e bombardeios a instalações estratégicas, além de um bloqueio houthi contra embarcações sauditas no Estreito de Bab el-Mandeb.
A possível entrada da Síria marcaria mais um passo na mudança da política externa do país desde a queda de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024. Turquia e Arábia Saudita se opuseram ao governo anterior e tiveram atuação na oposição que levou à sua derrubada.
Após a ofensiva liderada pelo atual presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, as duas potências regionais reaproximaram-se de Damasco. Al-Sharaa tem passado ligado ao jihadismo, com conexões à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico, mas nos últimos anos adotou postura pragmática e prometeu inclusão e unificação na Síria.



