Na sexta-feira (9), durante a 32ª edição do Auto do Círio, realizado na Cidade Velha, em Belém, a Universidade Federal do Pará (UFPA) prestou homenagem à professora, artista e ícone da luta antirracista Zélia Amador de Deus, falecida recentemente, em reconhecimento à sua contribuição para a criação e consolidação do cortejo cultural que celebra as tradições populares amazônicas há mais de três décadas.
Contexto Histórico e Institucional da Homenagem
A cerimônia ocorreu sob o tema "Maria, Salvai e Guardai Nosso Patrimônio Sagrado e Nossa Fé", reunindo manifestações artísticas que antecedem a procissão principal do Círio de Nazaré, realizada no domingo (11), e destacou o legado da professora, que integrou os fundadores do projeto de extensão da UFPA responsável pela perpetuação do Auto do Círio.
Zélia Amador de Deus notabilizou-se como primeira pessoa negra a ocupar a vice-reitoria da UFPA entre 1993 e 1997, cargo que ocupou após longa trajetória acadêmica e ativismo na defesa da igualdade racial, tendo sido co-fundadora do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e ativa participante na criação da Companhia de Teatro Cena Aberta.
A UFPA decretou luto oficial de três dias para honrar a primeira vice-reitora negra da instituição, cuja trajetória simboliza avanços na representação racial na educação superior brasileira.
Repercussão e Perspectivas Futuras
A homenagem foi celebrada por autoridades da UFPA, representantes de movimentos sociais e artistas, que destacaram a relevância da figura de Zélia como referência na luta contra o racismo estrutural na Amazônia e como arquiteta de projetos culturais que fortalecem a identidade afro-brasileira.
Com o encerramento das atividades do Auto do Círio, iniciam-se os preparativos para a 11ª procissão do Círio de Nazaré, enquanto a comunidade acadêmica e civil reafirma a necessidade de políticas públicas efetivas na promoção da igualdade racial, alinhadas ao legado deixado pela professora.



