Em 9 de outubro de 1848, durante o auge da 'primavera dos povos', Luís Napoleão Bonaparte, sobrinho do imperador francês e neto de Josefina, formalizou sua candidatura à Presidência da República Francesa em eleição direta, sendo derrotado na tribuna da Assembleia Nacional por figuras como Ledru-Rollin, que o rotularam como 'imbecil', apesar de ter sido reconhecido como cidadão francês e eleito deputado por cinco departamentos, incluindo Paris.
Contexto Histórico e Legitimidade Política do Candidato
A apuração histórica revela que Luís Napoleão, após 18 meses de prisão no Castelo de Ham sob acusação de tentativa de desembarque para reivindicar o trono francês, retornou a Paris em 26 de fevereiro de 1848, momento em que o Governo Provisório inicialmente impediu sua permanência no país, embora tenha declarado publicamente seu propósito de servir à nação sem ambições pessoais.
No contexto da transição política que culminou na segunda República francesa — efetivada com a queda do rei Luís Felipe em 24 de fevereiro —, o reconhecimento de seus direitos civis pela Assembleia Nacional, após intenso debate sobre a exclusão de linhagens reais do sufrágio universal, consolidou sua elegibilidade para concorrer ao cargo mais alto da República.
Luís Napoleão Bonaparte foi eleito deputado por cinco departamentos em junho de 1848, consolidando sua posição política apesar das tentativas de exclusão.
Repercussão Política e Desafios Institucionais
A reação dos setores tradicionais da elite republicana e dos banqueiros ilustra a ambivalência do apoio ao candidato: enquanto figuras como Louis Blanc e Proudhon o aliaram à esquerda reformista com discurso de extinção do pauperismo, os interesses financeiros enxergaram nele garantia de continuidade para seus privilégios, contando com financiamento privado para sua campanha.
A Assembleia Nacional enfrentou impasse sobre a constitucionalidade da candidatura, culminando na proposta de Thouret que buscava barrar a participação de membros das famílias reais do pleito presidencial — medida que foi derrotada por puristas que defendiam a legitimidade do sufrágio universal.



