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Médica Fiorella Menegatti detalha a criação da Associação Luciano Prado Jr.

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 02:00
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Médica Fiorella Menegatti detalha a criação da Associação Luciano Prado Jr.
Fatos Rápidos da Notícia
  • “Deixamos de ser somente médicos e passamos a ser pacientes”, relata Fiorella Menegatti ao relembrar a jornada vivenciada ao lado do saudoso marido, Luciano Prado Jr. (1973-2025). Após a morte do companheiro de vida e profissão, no ano passado, ela encontrou forças para trilhar um novo caminho, que culminou na criação da Associação Luciano Prado Jr. O que começou com a ajuda a uma única criança que precisava de tratamento radioterápico no Hospital da Criança, em Brasília, transformou-se em uma missão.
  • Em entrevista à coluna Claudia Meireles, Fiorella compartilha os bastidores da fundação da associação e relembra a história de amor com Luciano.
  • Emocionada desde o início da conversa, ela conta que os dois se conheceram na capital federal, durante sua especialização em medicina nuclear. Na época, ele já atuava na área e era pai de duas meninas, Marcella e Giovanna. Em dezembro de 2010, começaram a namorar e, em janeiro de 2013, oficializaram a união com a troca de alianças.
Resumo Editorial

“Deixamos de ser somente médicos e passamos a ser pacientes”, relata Fiorella Menegatti ao relembrar a jornada vivenciada ao lado do saudoso marido, Luciano Prado Jr. (1973-2025). Após a morte do companheiro de vida e profissão, no ano passado, ela encontrou forças para trilhar um novo caminho, que culminou na criação da Associação Luciano Prado Jr. O que começou com a ajuda a uma única criança que precisava de tratamento radioterápico no Hospital da Criança, em Brasília, transformou-se em uma missão.

“Deixamos de ser somente médicos e passamos a ser pacientes”, relata Fiorella Menegatti ao relembrar a jornada vivenciada ao lado do saudoso marido, Luciano Prado Jr. (1973-2025). Após a morte do companheiro de vida e profissão, no ano passado, ela encontrou forças para trilhar um novo caminho, que culminou na criação da Associação Luciano Prado Jr. O que começou com a ajuda a uma única criança que precisava de tratamento radioterápico no Hospital da Criança, em Brasília, transformou-se em uma missão.

Em entrevista à coluna Claudia Meireles, Fiorella compartilha os bastidores da fundação da associação e relembra a história de amor com Luciano.

Emocionada desde o início da conversa, ela conta que os dois se conheceram na capital federal, durante sua especialização em medicina nuclear. Na época, ele já atuava na área e era pai de duas meninas, Marcella e Giovanna. Em dezembro de 2010, começaram a namorar e, em janeiro de 2013, oficializaram a união com a troca de alianças.

Juntos, a capixaba de Colatina e o mineiro de Paraguaçu laudaram exames de PET/CT, utilizados na investigação de doenças oncológicas. A rotina profissional dos dois era marcada pelo contato frequente com o câncer e com pacientes diagnosticados com a doença. Até que Luciano recebeu o diagnóstico de câncer de pulmão, mesmo sem nunca ter fumado, conforme relata Fiorella.

“Quem cuidava precisou de cuidado. Eu virei a cuidadora dele”, conta. Ela complementa: “Eu gosto de falar muito que nós mudamos, sabe? Nós estávamos de um lado da mesa e fomos para o outro. Quando isso aconteceu, tudo mudou. Mudou tudo, a nossa visão em relação aos pacientes, em relação à vida e em relação à nossa vulnerabilidade. Foi um processo de seis anos.”

Nesse período, a médica nuclear viu a saúde do esposo se enfraquecer. “Você chega a um ponto em que não tem o que fazer. Você se questiona se tem algo a mais. Isso não é tudo. Nós somos bastante vulneráveis”, pontua. Diante dessa luta, ela e Luciano passaram a se aprofundar espiritualmente “de uma forma muito forte”.

“Enquanto batalhávamos contra o câncer, enquanto trabalhávamos e lidávamos com os pacientes, nós nos aprofundávamos espiritualmente. E assim foi, até o ponto em que o meu esposo foi descansar, fez a passagem para o céu”, salienta Fiorella. Luciano Prado Jr. faleceu em 29 de maio do ano passado. A capixaba enfatiza que o marido, consciente, pediu para ser sedado, pois sabia que havia chegado a hora de partir.

Fiorella Menegatti não sabia como abordar a morte de Luciano com o filho, Vicente, à época com 6 anos. “Ali, naquele processo, no hospital, eu não sabia como conduzir com meu filho. Nesse momento, eu falei que precisava de uma inspiração divina, Deus tinha de me orientar”, relata. Ela recorda que algumas pessoas lhe davam conselhos, cada uma sugerindo algo diferente. No entanto, a médica não conseguia compreender as orientações e se sentia confusa.

“Em um momento de silêncio, oração e conexão, eu recebi uma inspiração”, lembra a capixaba. No livro intitulado Um Pedido do Céu, ela detalha como contou ao filho sobre a morte de Luciano. Após buscar Vicente na escola, a conversa ocorreu na capela da residência da família. Na publicação, ela faz o relato sob o olhar do menino.

“Minha mãe frisou: ‘O anjo disse que o Papai do Céu está montando uma equipe muito especial para ajudá-lo a cuidar e salvar pessoas aqui na Terra. E, dentre tantos, o papai Luciano foi o escolhido por Deus. Ele disse que seu pai tem todas as qualidades que Ele está precisando. Nenhum outro aqui na Terra pode ajudá-lo nesse momento como o papai Luciano’”, escreveu Fiorella no livro.

“Minha mãe frisou: ‘O anjo disse que o Papai do Céu está montando uma equipe muito especial para ajudá-lo a cuidar e salvar pessoas aqui na Terra. E, dentre tantos, o papai Luciano foi o escolhido por Deus. Ele disse que seu pai tem todas as qualidades que Ele está precisando. Nenhum outro aqui na Terra pode ajudá-lo nesse momento como o papai Luciano’”, escreveu Fiorella no livro.

“Naquele instante, meu coração apertou e uma pergunta saiu de forma instantânea: ‘Mas meu pai vai precisar morrer aqui na Terra para fazer parte da equipe do Céu?’ E minha mãe prontamente respondeu: ‘Sim’”, publicou a médica. Segundo a capixaba, a conversa aconteceu de forma linda: “Eu estava muito em paz e tranquila. Conforme eu ia contando, o Vicente ia me acalmando com as atitudes dele.”

Mesmo em meio à dor, ao sofrimento e à saudade provocados pela perda de um ente querido, Fiorella e Vicente transmitiam paz e tranquilidade, segundo pessoas próximas. Ela chegou a contar a amigos como havia sido a conversa com o filho, e eles a incentivaram a compartilhar a história. “Você precisa dividir isso, porque outras pessoas têm de ouvir esse testemunho”, recomendaram.

Em maio deste ano, quando a morte de Luciano completou um ano, Fiorella celebrou uma missa na capela de casa e já havia elaborado a publicação Um Pedido do Céu. “Resolvi então escrever esse livro, contar o relato real do que nós vivemos e distribuir para as pessoas”, confidencia. Meses antes, em dezembro, quando o marido completaria aniversário, ela decidiu promover a corrida Cada Afeto é uma Porção de Cura, em homenagem a Luciano.

“Meu marido era corredor. Nós corríamos ali no Park Way, no nosso bairro. Eu queria fazer essa homenagem a ele, com um momento de oração, de confraternização e de caridade”, ressalta. No evento esportivo, a médica conseguiu arrecadar uma quantia que desejava destinar a uma iniciativa social.

“Meu marido era corredor. Nós corríamos ali no Park Way, no nosso bairro. Eu queria fazer essa homenagem a ele, com um momento de oração, de confraternização e de caridade”, ressalta. No evento esportivo, a médica conseguiu arrecadar uma quantia que desejava destinar a uma iniciativa social.

Com o dinheiro arrecadado, a médica nuclear se deparou com a história de uma criança que precisava de tratamento radioterápico no hospital em que Fiorella trabalha, o DF Star, da Rede D’Or São Luiz. “Foi Deus que a colocou para que pudéssemos tratar”, afirma.

Ela conta que a criança era acompanhada pelo Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HBC), mas, como a instituição não oferece radioterapia, os pacientes precisam se deslocar para outros centros médicos.

“Muitas das vezes, as crianças vão para o Hospital Universitário de Brasília, o HUB, só que também não consegue comportá-las. Eu percebi que havia crianças que precisavam de radioterapia com mais urgência, porque a Abrace não consegue ofertar todo esse volume de tratamento radioterápico. Nesse caso, nós pagamos”, alega.

“Muitas das vezes, as crianças vão para o Hospital Universitário de Brasília, o HUB, só que também não consegue comportá-las. Eu percebi que havia crianças que precisavam de radioterapia com mais urgência, porque a Abrace não consegue ofertar todo esse volume de tratamento radioterápico. Nesse caso, nós pagamos”, alega.

No dia da missa em memória de Luciano Prado Jr., realizada um ano após sua morte na capela da residência de Fiorella, um amigo radioterapeuta mostrou a ela uma mensagem que havia recebido de uma médica do Hospital da Criança: “A sua amiga vai tratar só essa criança ou ela tem uma associação?”, indagou.

“Nesse momento em que eu já estava em oração para saber o caminho e o sentido que eu deveria buscar, senti que era exatamente Deus me chamando para montar uma associação. E foi assim que surgiu a Associação Luciano Prado Jr.”, pondera a capixaba. A mãe de Vicente explica que o principal objetivo da iniciativa é custear o tratamento radioterápico de crianças atendidas pelo Hospital da Criança.

Na avaliação da médica, a associação ainda é um projeto pequeno. Até o momento, a iniciativa esteve envolvida no tratamento de cinco crianças. Na página do Instagram, a equipe colocou na bio a frase “Cada gota importa”. Segundo Fiorella, a expressão representa a possibilidade de gerar uma “porçãozinha de cura” para cada um desses pequenos pacientes.

“Parece pouco, mas, quando vemos o rostinho da criança, percebemos que, por trás, há uma vida, uma história e uma família. Isso tem me curado. A cada gotinha, sigo gerando uma porçãozinha de cura para elas, mas sinto que elas me dão uma porção de cura muito maior na minha alma”, finaliza a médica e idealizadora da Associação Luciano Prado Jr.

“Parece pouco, mas, quando vemos o rostinho da criança, percebemos que, por trás, há uma vida, uma história e uma família. Isso tem me curado. A cada gotinha, sigo gerando uma porçãozinha de cura para elas, mas sinto que elas me dão uma porção de cura muito maior na minha alma”, finaliza a médica e idealizadora da Associação Luciano Prado Jr.

Para saber mais, siga o perfil de Vida&Estilo no Instagram.

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