No dia 17 de março de 2023, o Kremlin, por meio de decreto presidencial assinado por Vladimir Putin, determinou a transferência temporária dos ativos russos das multinacionais suíça-americana Nestlé e da francesa Auchan para a estatal L. E. V Management, após declaração do porta-voz Dmitry Peskov que caracterizou as empresas como envolvidas em "hostilidades contra a Rússia"
Contexto Histórico e Estratégico da Nacionalização de Ativos Estrangeiros
A apuração realizada pela imprensa internacional, com base em documento oficial divulgado no âmbito do governo russo e confirmado por Dmitry Peskov em 18 de março, revelou que a medida foi inserida no quadro de uma política estatal mais ampla de reafirmação da soberania econômica diante das sanções ocidentais.
A Nestlé, que mantém seis unidades operacionais na Rússia com mais de 7.000 empregados e faturamento equivalente a cerca de US$ 2,4 bilhões em 2021 — representando 2% do total global —, viu suas ações despencarem 2% na Bolsa de Zurique, enquanto a Auchan, com 230 lojas físicas e presença digital ativa, emprega cerca de 30 mil funcionários em território russo.
A Nestlé viu suas ações caírem 2% em Zurique após a transferência temporária dos ativos para a estatal L. E. V Management
Repercussão Institucional e Desdobramentos Jurídicos
O governo russo tem utilizado o mecanismo legal previsto no decreto para consolidar o controle sobre empresas estrangeiras e nacionais, ampliando uma estratégia iniciada após a invasão da Ucrânia em 2022, conforme relatado por Alexandra Prokopenko no New York Times.
A Procuradoria-Geral da Rússia tem atuado para acelerar processos de nacionalização, reabrindo acordos de privatização da década de 1990 sob o argumento de violação à soberania econômica do país.



