O presidente do Paraguai, Santiago Peña, pediu ao Senado uma prorrogação de 72 horas para apresentar sua defesa no processo de impeachment. O pedido foi feito após o Senado retomar a sessão que analisa o caso na manhã desta sexta-feira (6).
Na noite de quinta-feira (5), a Câmara de Deputados aprovou por unanimidade a remoção do presidente. As discussões no Congresso ocorrem em meio às acusações de irregularidades ligadas ao Ueno Bank, instituição que fechou as portas na terça-feira (5) e afetou cerca de três milhões de cidadãos.
Parlamentares acusam Peña de negligência no cumprimento do dever devido ao colapso do banco. O colapso aconteceu depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação ao constatar um déficit em índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
O Congresso rejeitou na quinta-feira (5) a renúncia anunciada por Peña, que buscava deixar o cargo para evitar o processo parlamentar. Membros da oposição se opuseram à medida para impedir que o presidente mantivesse foro privilegiado.
Durante o debate, a senadora opositora Yolanda Paredes afirmou que aceitar a renúncia transformaria "um ladrão em senador vitalício”, com foro parlamentar para escapar da Justiça. O processo também dividiu o partido Colorado, de Peña.
O deputado Roberto González negou-se a aceitar a saída do presidente, enquanto o senador Gustavo Leite defendeu a renúncia, alertando que "o processo de impeachment será um circo”. Peña, economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista do grupo proprietário do banco até março do ano passado.
A oposição acusa Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória e desvio de recursos previdenciários. O Ueno Bank concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Peña afirmou em publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções. Ele também promulgou uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo e pediu que os setores políticos colocassem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse.
Também nesta quinta-feira, a Câmara de Deputados rejeitou o impeachment do vice-presidente Pedro Alliana, com 48 votos contra e 30 a favor. Alliana está posicionado para assumir o governo paraguaio caso Peña seja removido.



