Davi Alcolumbre (União-AP) discute com parlamentares, membros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros do STF uma possível articulação para beneficiar Jair Bolsonaro (PL) com anistia ou indulto. O objetivo do senador é atrair apoios de parlamentares da direita para sua reeleição na presidência do Senado e conter pressões por impeachment de ministros do Supremo, em uma tentativa de pacificação entre os Poderes.
Entre as possibilidades avaliadas está o indulto individual, concedido diretamente pelo presidente da República, ou o indulto coletivo, que segue regras gerais definidas em decreto. Outra alternativa é a anistia por meio de lei aprovada pela Câmara e pelo Senado, seguida de sanção ou veto de Lula. No entanto, interlocutores de Alcolumbre afirmam que ainda não há proposta definida nem acordo fechado para viabilizar o perdão.
A articulação enfrenta obstáculos jurídicos e políticos. O STF já anulou um indulto individual concedido por Bolsonaro a Daniel Silveira em 2023, entendendo que o benefício não pode ser usado para favorecer aliados políticos sem interesse público. Além disso, Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, o que pode impedir o perdão sob o entendimento da Corte sobre crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Senadores do PL cobram que qualquer negociação seja concluída ainda neste ano para se converter em votos na eleição de fevereiro de 2027. Uma promessa de solução apenas após a escolha do presidente do Senado não seria suficiente para garantir apoio. O partido deve se reunir na próxima quarta-feira (4/11) para decidir se lançará Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à disputa.
Atualmente, MDB, PSD, PT, União Brasil e PP já sinalizaram respaldo à recondução de Alcolumbre, somando 33 senadores em 2027. Esse total está oito votos abaixo dos 41 necessários para eleger o presidente da Casa em votação individual e secreta. O PL terá a maior bancada, com 29 dos 81 senadores, tornando-se alvo central da articulação.



