A cúpula anual de lideranças dos Brics, realizada na Índia a partir de 12 de setembro de 2025, reuniu Vladimir Putin, Dilma Rousseff, Xi Jinping e demais chefias estatais num cenário marcado pela tensão geopolítica entre Irã e Emirados Árabes Unidos, cuja crise comercial e militar ameaçou desmantelar o consenso do bloco antes mesmo do término da reunião preparatória dos chanceleres em maio.
Contexto Histórico e Dinâmica de Expansão dos Brics
A 16ª edição da cúpula dos Brics ocorreu num momento de profunda reconfiguração geopolítica global, após a adesão de cinco novos membros plenos — Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia — que dobraram a composição do bloco desde 2023, ampliando sua representatividade geográfica e estratégica sem proporcionalidade institucional.
O desencontro entre Teerã e Abu Dhabi, agravado por ataques militares no Golfo Pérsico e pela suspensão indefinida do comércio entre os dois países, revelou as fragilidades estruturais do Brics frente à coexistência de atores regionais com interesses conflitantes, como a presença militar norte-americana nos Emirados Árabes Unidos e o bloqueio iraniano ao Estreito de O rmuz.
O Brics passou de 11 para 16 nações integrantes desde 2023, com a inclusão de Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia como membros plenos.
Repercussões Diplomáticas e Desafios para a Coesão do Bloco
A ausência de declaração conjunta na cúpula dos chanceleres reflete o impasse ideológico entre países com alinhamentos conflitantes: enquanto o Irã mantém postura antioccidental e apoia grupos não estatais em conflitos regionais, os Emirados Árabes Unidos mantêm parceria estratégica com os Estados Unidos e Israel, inclusive hospedando bases militares americanas.
Especialistas apontam que a fragmentação do bloco evidencia a necessidade de mecanismos mais robustos para gestão de divergências regionais, além de reforçar o papel da Índia como facilitadora diplomática entre atores com interesses contraditórios.



