A O peração Crédito O culto, terceira fase da investigação Carbono O culto conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, desdobrou-se na manhã de quinta-feira (24/9) com a apreensão de documentos e o congelamento de ativos vinculados a um esquema de lavagem de recursos que mobilizava fintechs, usinas e fundos de investimento em ao menos sete estados.
Contexto Institucional e Evidências Documentais da Ação
O s investigadores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime O rganizado (Gaeco) revelaram que o plano de ocultação das irregularidades foi desenhado pelos gestores do esquema após a deflagração da primeira fase da Carbono O culto, em setembro do ano anterior, e que tentativas deliberadas de apagar rastros digitais e modificar rotinas operacionais acabaram gerando provas contundentes. A análise do celular de Gunar Marcondes, contador e gestor contábil de Mohamad Hussein Mourad – conhecido como Primo – identificou um 'plano de emergência' com instruções para mudar de endereço residencial, demitir colaboradores da empresa fachada 7Seven, contratar um profissional de TI isolado e alterar números telefônicos, indicando clara percepção do periculum in mora que justificou as buscas e o congelamento de recursos.
Antecedentes recentes apontam para uma rede estruturada de corrupção que utilizava a Usina Itajobi, localizada no interior paulista, como instrumento para adquirir a Terrana, uma das maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil, por meio de operações financeiras opacas. O Banco Genial, ao liquidar Certificados de Depósito Bancário Vinculados (CDBVs) e ceder Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) no valor de R$ 160 milhões diretamente ao Fundo Radford – utilizado pela Itajobi para a compra da Terrana – expôs a trajetória circular dos recursos, configurando evidência material decisiva para o Gaeco.
Mais de R$ 160 milhões em Cédulas de Crédito Bancário foram transferidos do Banco Genial ao Fundo Radford para viabilizar a compra da Terrana pela Usina Itajobi.
Repercussão Jurídica e Estratégias de Desvinculação
O Ministério Público Federal e a Justiça Federal já receberam representação formal que detalha a participação direta do Banco Genial na estrutura criminosa, com destaque para a eliminação do intermediário financeiro por meio da transferência direta dos créditos ao Fundo Radford, o que configurou transparência forjada e facilitou a identificação da origem ilícita dos recursos. Ao mesmo tempo, os gestores do esquema migraram massivamente os fundos mantidos na administradora Reag para novas instituições – Altinvest, Trustee, BLF e Banvox – em tentativa de pulverizar o patrimônio e dificultar a rastreabilidade.
Especialistas em direito societário e financeiro apontam que as medidas adotadas pelos envolvidos – desde apagamento de conversas no WhatsApp até mudança de identidade funcional – configuram crime contra o sistema financeiro e podem acarretar sanções penais severas, incluindo prisão preventiva e multas correlatas ao volume desviado.



