Após a condenação da ex-deputada federal Carla Zambelli pela Justiça italiana por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma, uma audiência foi marcada para 29 de outubro para apreciação do pedido de extradição ao Brasil, no contexto da disputa política e jurídica que se arrastou entre os turnos das eleições brasileiras de 2022.
Contexto Jurídico e Histórico da Extradição
A Itália acatou o pedido brasileiro de extradição da ex-parlamentar, que encontra-se em Roma há quase um ano após passagem por cárcere em Rebibbia, tendo sido formalmente notificada para apreciar o caso sob a lente da jurisdição transnacional, com base em documentos que atestam a condenação definitiva por infrações penais previstas no artigo 14 da Lei nº 10.826/2003 e na resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) relativa à parcialidade no julgamento.
O governo brasileiro, por meio da Procuradoria-Geral da República e do Ministério das Relações Exteriores, tem defendido a necessidade de que a sentença seja cumprida no Distrito Federal, argumentando que o STF não teria assegurado imparcialidade na análise do caso envolvendo suposto abuso de poder durante a operação de busca e apreensão no âmbito do CNJ, o que, segundo autoridades locais, violaria o princípio da égide constitucional do devido processo legal.
Carla Zambelli aguarda decisão da Justiça italiana sobre sua extradição enquanto permanece em liberdade condicional em Roma.
Repercussão Política e Desdobramentos do Processo
A defesa de Zambelli articulou pedido junto ao STF para retorno ao Brasil antes do primeiro turno eleitoral, com o objetivo de votar ao lado da mãe, Rita Zambelli, candidata a deputada federal por São Paulo, fato que reforça a dimensão eleitoral do embate jurídico em curso.
As autoridades italianas mantêm postura técnica e neutralidade formal, enquanto o Palácio do Planalto reiterou que a prioridade é o cumprimento da pena no Brasil; o caso segue sob estrita observação do Ministério Público Federal e do Judiciário brasileiro.



