O empresário Victor Hugo Henriques, único sócio da MRG Gerenciamento e Serviços, foi identificado pela Polícia Federal como autor intelectual de uma operação fraudulenta que envolveu a aquisição ilegal de um lote de munições ao se fazer passar por agente do Superior Tribunal Militar (STM), conduta que culminou na apreensão de 14 armas — incluindo um fuzil T4 e espingardas com numeração raspada — e 2.558 cartuchos em seu condomínio na Tijuca, em 29 de maio.
Apuração da O peração Fraudulenta e Configuração do Delito
De acordo com laudo pericial da PF, Victor apresentou identidade funcional falsa de agente da Polícia Judicial do STM à loja de armas em Duque de Caxias, em 7 de abril, e efetuou três transferências para quitar a compra: duas via contas pessoais e uma, no valor de R$ 3.600,53, diretamente da conta da MRG, transferência que configura uso indevido de recursos corporativos.
A investigação revelou ainda que Victor utilizava seis certificados de registro de arma (Crafs) falsos ou divergentes, sem autorização válida para porte ou posse, e que o emprego de distintivo oficial e equipamentos táticos com o brasão da Polícia Judicial configurava uso sistemático de falsos atributos institucionais para facilitar transações ilícitas.
Foram apreendidas 2.558 munições intactas, distribuídas em calibres variados, além de 14 armas de fogo, sendo uma com numeração raspada, totalizando um estoque que ultrapassa os parâmetros legais previstos no Exército Brasileiro.
Repercussões Jurídicas e Desdobramentos Institucionais
A Justiça Federal já indiciou Victor por posse ilegal de armas restritas e uso de documento falso, com possibilidade de aplicação de sanções que incluem prisão preventiva e inabilitação por até oito anos, enquanto o Ministério Público Federal mantém investigação paralela sobre possível associação criminosa e tráfico de munições de uso restrito.
O caso expõe fragilidades no controle interno das empresas contratadas pelo Poder Judiciário e reforça a necessidade de auditoria rigorosa nos contratos firmados sob supervisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que autorizou o contrato entre a MRG e Silveira em junho.



