O Papa Leão incentivou cerca de 40 mil pessoas, que aguardavam sob chuva na fronteira entre Uruguai e Argentina, a superarem suas divergências. A visita ocorreu em Paysandú, polo econômico às margens do rio Uruguai, escolhido pelo Vaticano por facilitar o acesso de peregrinos de toda a região. Foi a primeira vez que um papa esteve na cidade.
Durante sermão inspirado na Ponte Internacional General Artigas, que liga os dois países, Leão declarou: "Não é difícil imaginar os benefícios que uma ponte traz: abertura, comunicação e intercâmbio. É por isso que é tão importante sermos construtores de pontes!". Ele reforçou que todos são chamados a construir pontes, fortalecer laços, unir e comunicar.
Após retornar a Montevidéu para vigília no Estádio Centenário, o pontífice foi recebido por aproximadamente 100 mil pessoas. Mathias Franco, de 18 anos, destacou que o grande público surpreende em um país com forte tradição secular, onde apenas um terço dos adultos se identifica como católico.
No sábado, Leão visitou Casavalle, bairro da periferia norte marcado por violência e tráfico de drogas. Lá ouviu moradores, incluindo uma mãe que relatou dificuldades para criar um filho enquanto vivia em situação de rua. O papa abraçou a mulher e pediu que os uruguaios deixem de lado a apatia diante da pobreza e da desigualdade.
O pastor Pablo Coimbra afirmou à Reuters que esperava que a visita trouxesse ânimo a uma comunidade frequentemente esquecida pelos governos e instituições. A região é classificada pela polícia como "área vermelha" devido a disputas territoriais entre traficantes.
