Em 18 de setembro, o Banco do Japão elevou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, atingindo o patamar de 1,25% ao ano, o mais alto em 31 anos, com o título de 10 anos agora negociado a 2,91%, maior nível desde 1996 e reduzindo o diferencial entre as taxas dos dois países para 2,75 pontos.
Contexto Institucional e Histórico da Elevação Monetária
A decisão do BoJ, tomada na reunião de política monetária desta sexta-feira, reforça uma tendência global de aperto financeiro liderada por instituições como o Federal Reserve dos Estados Unidos e o Banco Central Europeu, que também optaram por incrementar seus juros em setembro, em resposta a pressões inflacionárias persistentes e à busca por estabilidade nos mercados de capitais.
A elevação ocorre num momento em que o Brasil reduziu sua taxa Selic em 0,25 ponto percentual, diminuindo o diferencial de juros entre as duas economias e intensificando a volatilidade cambial, já que a atratividade dos títulos públicos brasileiros frente à oferta mais remunerativa do Tesouro japonês e americano tem sido progressivamente erosionada.
O título japonês de 10 anos alcançou 2,91% ao ano, o maior valor registrado desde 1996.
Repercussão Jurídica e Posicionamentos Internacionais
A elevação da taxa japonesa intensificou a pressão sobre os fluxos de capital estrangeiro, sobretudo os de ienes, que acumularam vendas líquidas de 2,6 trilhões em títulos estrangeiros de longo prazo até setembro, após uma entrada líquida de 11,3 trilhões no mesmo período de 2025, segundo dados da 3V Capital.
Segundo Gianluca Rosales, sócio e gestor de mercados globais da 3V Capital, a combinação de juros mais altos no Japão e da fraqueza do iene pode forçar o país a intervir no mercado cambial vendendo ativos em dólar, o que impacta diretamente os títulos do Tesouro americano e gera efeitos colaterais nos mercados emergentes como o Brasil.



