O advogado Willer Tomaz, sócio majoritário da RioPag — empresa controlada pela Embrasis que detinha o monopólio da intermediação de pagamentos em apostas no Rio de Janeiro — movimentou R$ 10 bilhões em apostas na Blaze em 2025, resultando em prejuízo de R$ 163 milhões que superou integralmente sua renda bruta declarada de R$ 120,1 milhões no mesmo ano, enquanto o Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou seu pedido para bloquear R$ 145 milhões vinculados à plataforma.
Contexto Institucional e Jurídico da O peração Clandestina
A apuração jornalística, baseada em documentos judiciais e relatos da coluna de economia, revelou que a Embrasis distribuiu R$ 67,79 milhões em lucros a Willer Tomaz em 2024, fato que consolidou sua posição como principal beneficiário financeiro da RioPag, sociedade anônima cuja gestão esteve nas mãos do deputado federal Cláudio Castro (PL), até sua dissolução recente após o desvio de R$ 20 milhões da Loterj do Estado do Rio, conforme denunciado em julho.
A estrutura societária complexa — com a Embrasis controlando a Capital Pretium, única dona da RioPag — evidenciava que Tomaz atuava como sócio efetivo da RioPag ao mesmo tempo em que se apresentava como mero advogado da empresa, configurando um esquema de ocultação patrimonial que permitiu o fluxo irregular de recursos entre apostas e imposto de renda.
Willer Tomaz perdeu R$ 163 milhões em apostas na Blaze em 2025, valor superior à sua renda bruta declarada de R$ 120,1 milhões no mesmo ano.
Repercussão Legal e Desdobramentos Imediatos
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) indeferiu o pedido liminar de Willer Tomaz para bloquear R$ 145 milhões da Blaze, sob o argumento de que a ação não demonstrava probabilidade de direito ou risco iminente à ordem pública, reforçando a independência do Judiciário diante de demandas fundadas em interesses particulares.
A postura defensiva do advogado — que afirmou não comentar documentos protegidos por sigilo fiscal e bancário — contrasta com as evidências documentais que atestam sua participação ativa na estruturação de mecanismos para driblar a legislação federal, inclusive mediante uso de criptomoedas e exclusão do reconhecimento facial nas transações.



