Na 77ª sessão da Assembleia Geral da O NU, realizada em 4 de setembro de 2023, os Estados-membros aprovaram por maioria esmagadora — 164 votos a favor e apenas um contra — a adoção do novo mapa-múndi Igual, que substitui a projeção Mercator, amplamente utilizada desde o século XVI, por uma representação cartográfica que busca corrigir a distorção histórica que exagerava o tamanho dos países do hemisfério norte em detrimento das regiões sul e africana.
Contexto Histórico e Aprovação Institucional da Projeção Igual
A resolução foi fruto de uma iniciativa liderada pelo Togo, com amplo suporte da União Africana e de países do mundo em desenvolvimento, que há décadas denunciam a desproporcionalidade cartográfica como manifestação de desigualdades coloniais e epistemológicas; o novo mapa, ao representar o planeta com a África centralizada e com proporções geográficas mais equilibradas, visa promover o que os proponentes denominam 'justiça cognitiva' — ou seja, uma compreensão mais fiel da realidade geográfica que influencia decisões educacionais, políticas e econômicas globais.
O texto aprovado pela O NU reconhece que nenhuma projeção cartográfica é isométrica em relação à superfície terrestre, mas defende que a Igual oferece uma base mais ética para a formação de consciência espacial e para o reconhecimento histórico das relações de poder que moldaram as convenções cartográficas ocidentais.
A África, que anteriormente era representada com um tamanho semelhante ao da Groenlândia — cerca de 14 vezes menor que sua dimensão real — passa a ocupar proporção adequada no novo mapa-múndi adotado pela O NU.
Repercussão Internacional e Desafios na Implementação da Nova Cartografia
Governos nacionais, instituições educacionais e empresas tecnológicas foram instimulados pela resolução a adotar a projeção Igual em seus processos de ensino, pesquisa e desenvolvimento de produtos digitais, embora sem obrigatoriedade legal; países como Brasil, África do Sul e Índia já iniciaram estudos para integração gradual do novo padrão em seus sistemas cartográficos oficiais.
A posição dos Estados Unidos, que se opuseram à medida com base em interesses estratégicos e céticos quanto à utilidade prática da mudança, destacou tensões geopolíticas subjacentes à disputa pelo controle da narrativa geográfica global.
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