A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) declarou que o mercado financeiro possui "DNA do autoritarismo" e que não surpreende o apoio do setor à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. A fala ocorreu durante críticas à reação de investidores diante da possível reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o economista André Lara Resende, formulador do Plano Real.
A parlamentar negou que o encontro esteja organizado, mas afirmou que não haveria problema caso ocorresse, pois conversar e ouvir faz parte da democracia. Ela questionou por que Lula deveria renunciar às promessas de campanha e destacou que o presidente sempre agiu com responsabilidade fiscal, lembrando os déficits acumulados na gestão anterior.
Gleisi também apontou que parte do mercado está ligada a facções criminosas, citando investigações da PF, Receita Federal e Gaeco de SP envolvendo a ala associada ao PCC, além de especuladores que causaram bilhões em perdas após a eleição. Para ela, é natural que o presidente busque diálogo com agentes menos comprometidos com a Faria Lima para compreender os problemas econômicos.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou à CNN que exista qualquer agenda marcada entre Lula e Lara Resende e afirmou que nenhuma proposta do economista está sendo discutida para levar ao presidente. Apesar disso, um texto de 11 páginas do coordenador do programa de governo, José Sérgio Gabrielli, celebra o fim do "pensamento único" e elogia ideias heterodoxas, como o tabelamento dos juros, gerando especulações sobre divisões internas no PT.
O presidente do partido, Edinho Silva, tentou minimizar os ruídos e reforçou que apenas o ministro da Fazenda fala em nome do governo na política econômica. Ele classificou as especulações como prejudiciais ao país e benéficas apenas a especuladores e oportunistas que apostam contra a gestão Lula.



