Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, foi confrontado pela Polícia Federal durante depoimento prestado em 15 de outubro. As mensagens analisadas fazem parte da investigação sobre suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Master e o Banco de Brasília (BRB).
Em uma das conversas lidas durante o interrogatório, Vorcaro escreveu que acordos feitos no “fio do bigode” são mais importantes do que contratos escritos. Ele demonstrou insatisfação com uma mensagem recebida de Paulo Henrique Costa no dia anterior e afirmou ter cumprido os compromissos assumidos desde o início da relação comercial.
O empresário apresentou uma relação de operações financeiras realizadas entre as instituições, incluindo aumento de capital, aquisição de ativos e negociações envolvendo carteiras de crédito. Ele pediu ainda que o BRB estabelecesse um cronograma regular de operações, com a definição antecipada dos ativos a serem negociados.
Segundo as mensagens apresentadas, Vorcaro fez um apelo para que fosse feito um fluxo semanal firme, indicando quais ativos seriam utilizados para evitar intempórias recentes. A Polícia Federal também questionou solicitações de operações de valores elevados, com referências a necessidades de R$ 250 milhões e R$ 1,5 bilhão em determinados períodos.
Durante o interrogatório, Vorcaro negou que as mensagens demonstrassem irregularidades, afirmando que as cobranças faziam parte de uma parceria comercial semelhante às mantidas com outros bancos. Ele explicou que o Master participava de operações de aquisição de carteiras e investimentos relacionados ao BRB, enquanto o banco público também comprava ativos de sua instituição.
A investigação apura operações entre Master e BRB, incluindo negociações relacionadas à empresa Tirreno, apontada pelos investigadores como intermediária na comercialização de carteiras cuja existência e documentação foram questionadas. Vorcaro negou ter cometido fraude e sustentou que as operações contestadas foram substituídas por outros ativos, além de afirmar que os negócios não causaram prejuízo ao BRB, versão contestada pelos investigadores.
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também prestou depoimento à Polícia Federal em 15 de outubro. Ambos negaram a prática de irregularidades nas operações investigadas.



