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Nos EUA, a disputa pelo poder começa antes do eleitor votar, aponta análise sobre eleições intermediárias

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Há 56 min
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Nos EUA, a disputa pelo poder começa antes do eleitor votar, aponta análise sobre eleições intermediárias
Fatos Rápidos da Notícia
  • Um partido pode obter mais votos nacionais e terminar com menos cadeiras no Congresso americano.
  • O "gerrymandering" permite redesenhar distritos para favorecer um partido sem adulterar votos.
  • Texas, Califórnia, Flórida, Ohio e Carolina do Norte modificaram distritos em 2025 e 2026.
Resumo Editorial

Uma análise do GiroMix News mostra que, além dos votos nas urnas, regras como a delimitação de distritos e a composição do Senado influenciam diretamente a distribuição de poder no Congresso americano, podendo fazer com que um partido obtenha mais votos nacionais e menos cadeiras.

A vontade dos eleitores norte-americanos nem sempre se traduz automaticamente em poder político. Um partido pode receber mais votos no país e, mesmo assim, terminar com menos cadeiras no Congresso. Para compreender as eleições intermediárias, é necessário observar as regras que transformam votos em representação.

Na Câmara dos Deputados, as 435 cadeiras são distribuídas por distritos eleitorais, cujas fronteiras influenciam a competitividade das disputas. Nesse contexto opera o "gerrymandering", prática que consiste em concentrar eleitores adversários em poucos distritos ou dispersá-los entre vários para reduzir sua capacidade de eleger representantes. Embora não adultere votos, o desenho prévio das condições da disputa pode tornar cadeiras mais acessíveis a um partido.

Estados como Texas, Califórnia, Flórida, Ohio e Carolina do Norte redesenharam seus distritos em 2025 e 2026, adotando mapas favoráveis a republicanos ou democratas. Como as maiorias na Câmara são estreitas, essas mudanças ganham importância nacional. A judicialização não elimina o problema: em 2019, a Suprema Corte decidiu que a Justiça federal não deve arbitrar disputas sobre mapas manipulados por razões estritamente partidárias.

Outra controvérsia surgiu com o julgamento de um mapa da Louisiana criado após a Justiça considerar provável que o traçado anterior prejudicasse eleitores negros. O estado estabeleceu um segundo distrito de maioria negra, mas a Suprema Corte concluiu que o uso predominante da raça nesse redesenho era inconstitucional. A decisão também tornou mais exigente a demonstração de que a distribuição dos distritos reduz ilegalmente a capacidade de minorias elegerem seus candidatos preferidos.

No Senado, a desigualdade de representação tem origem diferente. Califórnia e Wyoming elegem dois senadores cada, apesar das grandes diferenças populacionais, refletindo o pacto federativo e dando pesos diferentes às populações na composição da Casa. Além disso, apenas parte das cadeiras é renovada a cada dois anos, de modo que uma mudança expressiva na opinião nacional não produz necessariamente uma mudança equivalente no Senado.

Essas assimetrias não tornam o voto irrelevante nem o resultado predeterminado; disputas locais ainda podem contrariar os cálculos partidários. O que elas mostram é que a competição acontece simultaneamente nas urnas, nas assembleias estaduais e nos tribunais. Os partidos disputam votos e também as condições em que eles se convertem em poder.

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