O rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 5 de novembro de 2015, é considerado a maior tragédia ambiental do Brasil. O desastre resultou em 19 mortes, afetou mais de 600 mil moradores e destruiu comunidades inteiras na região Central de Minas Gerais, com toneladas de rejeitos percorrendo mais de 600 km pela bacia do Rio Doce.
O MAB prepara uma mobilização social e atos de memória para marcar a data. Segundo Thiago Alves, integrante da Direção Nacional do movimento, o grupo pretende entregar um documento à equipe de transição do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) para cobrar compromisso da próxima gestão estadual com os atingidos.
Thiago Alves afirmou que o documento apresentará pontos sobre a dívida social e ambiental do governo de Minas Gerais com atingidos de várias regiões, incluindo Jequitinhonha, Bacia do Paraopeba e áreas afetadas pelo crime em Brumadinho e Alto Paraopeba. O governador eleito foi convidado para participar das solenidades em Mariana, mas não havia confirmação de participação até a publicação da reportagem.
O movimento critica a gestão anterior e afirma que os governos de Romeu Zema e Mateus Simões não realizaram proposta robusta para os atingidos nem forma abrangente de participação social. O objetivo é abrir um canal de diálogo permanente com a equipe de transição e depois com o novo governo para avançar nos direitos dos atingidos em todas as regiões.
A nova gestão estadual é vista pelo MAB como uma oportunidade histórica para romper com o ciclo de descaso e colocar vidas humanas e o meio ambiente acima dos interesses do setor minerário. Thiago Alves destacou que o governo eleito herda um passivo social e ambiental profundo e que a reparação efetiva exige participação social real no Novo Acordo do Rio Doce.
A barragem pertencia à Samarco Mineração S.A., controlada pela Vale e pela BHP. Em nota, a Vale reafirmou seu compromisso com a reparação integral dos danos decorrentes do rompimento e com o cumprimento do Acordo Definitivo de Reparação, homologado pelo Supremo Tribunal Federal em 2024.
O acordo assinado em outubro de 2024 prevê um total de R$ 170 bilhões para ações de reparação, sendo R$ 38 bilhões correspondentes a recursos anteriormente executados pelas empresas e R$ 132 bilhões referentes a obrigações financeiras previstas no novo acordo. Segundo a BHP, até setembro de 2026 a execução totalizava R$ 82,6 bilhões, cerca da metade do valor previsto.



