Com foco no bem-estar e na saúde, a geração Z reinventou o conceito de festas com as chamadas wellness darties (festas do bem-estar, em tradução livre). Esses eventos diurnos são marcados por práticas esportivas ao ar livre, séries de exercícios coletivos, oferta de bebidas proteicas e suplementos alimentares, competições de força e resistência e desafios em banheiras de gelo, tudo isso ao som de muita música e DJs. A prática ainda não é tão popular no Brasil, mas já está presente em diversas universidades dos Estados Unidos.
Como surgiram as wellness darties
Se antes as festas universitárias eram marcadas pelo consumo de álcool e pela diversão até altas horas da madrugada, agora a tendência segue um caminho oposto. As wellness darties evidenciam uma nova maneira de a geração Z se divertir, com foco nos esportes e nos cuidados com a saúde. O nome deriva do conceito de darties, termo usado para designar festas diurnas, que combina as palavras daytime (período diurno, em inglês) e party (festa, em inglês).
A modalidade tornou-se parte da rotina de diversas universidades nos Estados Unidos. Além disso, empresas especializadas nesse tipo de evento têm ganhado cada vez mais popularidade. Um exemplo é a Sweat&Soak, que já promoveu wellness darties em diversas fraternidades do país.
Marty Mocs, idealizador da Sweat&Soak, explica que a proposta desses eventos é promover um estilo de vida saudável, que preza pelo bem-estar físico e mental. Criada em 2024, a empresa também oferece um menu composto por comidas e bebidas funcionais sem álcool. Para Mocs, a nova geração é capaz de se divertir sem precisar consumir bebidas alcoólicas.
As wellness darties da Sweat&Soak contam com a colaboração de marcas de produtos funcionais, como a Alanis Nu, focada em bebidas energéticas e suplementos para treino
"Barrigas saradas são melhores que barrigas de cerveja", escrito no cartaz
Sessão de terapia com luz vermelha durante uma wellness dartie
Competição nas bacias de gelo
Assim como diversas tendências da geração Z, as wellness darties também são alvo de críticas dos millenials, geração nascida entre os anos 1980 e 1990. Mocs conta que as redes sociais da Sweat&Soak recebem muitos comentários negativos classificando a nova geração como “fraca” e incapaz de se divertir. Alguns afirmam, inclusive, que ficam felizes por terem frequentado a faculdade em uma época em que o mundo era verdadeiramente divertido. Mocs e os participantes das wellness darties, porém, não se ofendem com as críticas e defendem que estão apenas se divertindo de outra maneira.
Bem-estar de verdade ou performance?
Mesmo sob o argumento de cuidar da saúde, é importante salientar que as wellness darties podem não ser tão inofensivas quanto parecem. Ao mesmo tempo que as gerações mais jovens têm se preocupado com o bem-estar físico e mental, a cultura da performance nas redes sociais tem se tornado cada vez maior. Nesse contexto, a questão não se resume às preferências pessoais e às atividades que alguém realmente pratica, mas também ao quanto essa pessoa está disposta a exibir sua rotina na internet. Diante disso, cabe questionar o que há de genuíno nas wellness darties e o que não passa de conteúdo produzido para as redes sociais.
Além disso, a iniciativa pode mascarar práticas nocivas, reformuladas para parecerem formas de “cuidar da saúde”. Um exemplo que ilustra essa preocupação são as comunidades looksmaxxing, que têm se popularizado nas redes sociais. Inicialmente, esses grupos se difundiram sob a premissa de prezar pela saúde e construir a melhor versão de si mesmo. No entanto, o cenário atual revela outra realidade, com conteúdos que incentivam a autoflagelação e práticas associadas a transtornos alimentares circulando cada vez mais entre os participantes.



