O juiz auxiliar do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), Carlos Alberto Martins Filho, indeferiu o pedido de liminar apresentado pela campanha de Celina Leão (PP) contra propaganda eleitoral de Leandro Grass (PT), que criticava a saúde pública do DF e a atuação da candidata enquanto vice-governadora de Ibaneis Rocha (MDB). A decisão, proferida na terça-feira (22/9), reforçou que a propaganda não atinge a dignidade da candidata sem comprovação de desqualificação pessoal ou humilhação inequívoca, consolidando entendimento técnico sobre os limites da comunicação política no horário gratuito.
Análise Técnica e Jurídica da Decisão Judicial
Na decisão fundamentada no processo eleitoral, o magistrado destacou a ausência de comprovação de que a propaganda apresentasse acontecimentos fictícios ou dissociados da trajetória pública de Celina Leão, afastando, assim, a alegação de difamação ou caracterização degradante prevista nos arts. 53 e 54 da Lei nº 9.504/1997 e na Resolução TSE nº 23.610/2019. A Coligação Propósito e Ação, liderada pela governadora e candidata à reeleição Celina Leão (MDB), argumentou que edição artificial da voz, redução da velocidade da fala e recursos visuais depreciativos configuravam propaganda manipuladora, porém o juiz considerou tais elementos meras expressões subjetivas de insatisfação política sem base objetiva em violações concretas ao direito eleitoral.
O contexto histórico recente do Distrito Federal, marcado por intensas disputas sobre gestão da saúde e uso do espaço público, reforça a relevância da apuração técnica: o TRE-DF tem atuado com rigor na análise de conteúdos veiculados durante o período eleitoral, exigindo que as críticas se mantenham vinculadas ao debate programático e não à personificação abusiva dos adversários.
A decisão reforça que críticas políticas legítimas não equivalem a violação da dignidade da candidatura sem prova inequívoca de humilhação ou desqualificação pessoal.
Repercussão Política e Próximos Desdobramentos
A Coligação Propósito e Ação manifestou seu descontentamento com a decisão, reiterando que a propaganda evidencia inconsistências na postura do adversário em gestão sanitária e anunciando eventual recurso ao Superior Tribunal Eleitoral (TSE) para revisão da interpretação dos dispositivos legais aplicáveis. Autoridades do PT defenderam a legitimidade da crítica veiculada, argumentando que o uso de recursos visuais e edições técnicas integra o legítimo exercício do direito de oposição.
Com o indeferimento da liminar, a propaganda de Leandro Grass permanece em exibição no horário eleitoral gratuito, enquanto a estratégia jurídica da campanha de Celina Leão deve se concentrar em ajustes programáticos e na consolidação de narrativas favoráveis à sua reeleição, com especial atenção à transparência na comunicação sobre saúde pública no DF.



