Em 12 de outubro de 2024, Dia de Nossa Senhora Aparecida, o projeto jornalístico Revelando lançou o episódio "A Guerra à Santa", apresentado por Juliette Freire, que analisa ataques à imagem da padroeira nacional e a intersecção entre lideranças evangélicas e a esfera política, destacando a relação entre o bispo JB Carvalho e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Contexto Histórico e Teológico da Controvérsia Eucarística
A reportagem, produzida pelo Calma Urgente com apoio do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), da Mídia Ninja e da 342 Artes, parte de uma investigação aprofundada sobre a instrumentalização simbólica de Nossa Senhora Aparecida em disputas ideológicas, destacando declarações do bispo JB Carvalho que classificam a devoção mariana como ligada a práticas pagãs e até satânicas, conforme registrado em seu livro A bomba: a verdade pode ser explosiva (2001).
O episódio reúne contexto histórico da padroeira — encontrada em 1717 no Rio Paraíba do Sul e oficializada como símbolo nacional em 1930 —, além de percorrer episódios marcantes de intolerância religiosa, como o episódio de 1995 em que o bispo Sérgio Von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, agrediu publicamente uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, evidenciando um padrão de confrontos entre setores religiosos conservadores e tradições afro-brasileiras.
O livro A bomba: a verdade pode ser explosiva, de autoria do bispo JB Carvalho, publicado em 2001, associa Nossa Senhora Aparecida a uma entidade pagã ligada ao Satanás.
Repercussão Política e Desdobramentos na Discussão Religiosa
As críticas ao feriado de 12 de outubro e à condição de padroeira de Nossa Senhora Aparecida têm ganhado tração no debate público, com movimentos políticos que defendem a laicidade total do Estado e questionam a influência da agenda religiosa nas campanhas eleitorais; nesse contexto, Flávio Bolsonaro foi batizado na Comunidade das Nações em janeiro de 2024, igreja liderada por JB Carvalho, fato que intensificou a suspeita sobre sua postura perante símbolos católicos.
A reportagem aponta que o senador negou qualquer intenção de retirar Nossa Senhora Aparecida do papel de padroeira do Brasil, classificando as acusações como 'mentira', enquanto organizações civis e juristas alertam para os riscos de politizar crenças religiosas em um ano eleitoral marcado pela polarização entre setores evangélicos e laicos.



