Uma nova pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), revela que 50 milhões de pessoas residentes nas capitais brasileiras participam ativamente das apostas esportivas e dos jogos de azar online, um número que ultrapassa em 10,5 milhões o registrado em 2025, configurando um fenômeno de grande relevância econômica e social em pleno desenvolvimento.
Diagnóstico da Escala e Configurações do Fenômeno das Bets
A investigação, encomendada pela SPC Brasil e desenvolvida com o suporte técnico da O fferwise, entrevistou 939 indivíduos com 18 anos ou mais que realizaram compras pela internet nos últimos 12 meses, no período compreendido entre 25 de maio e 4 de junho, com margem de erro de 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O s resultados indicam que 62% dos entrevistados realizam apostas diariamente ou semanalmente, enquanto 78% utilizam o Pix como método predominante de transferência financeira para as plataformas de apostas. O gasto médio mensal observado foi de R$ 213, escalando para R$ 314 entre os consumidores das classes A e B, faixa que demonstra maior capacidade de gasto e concentração no segmento.
Além do impacto financeiro direto, a pesquisa aponta que 23% dos apostadores já comprometeram sua renda ou bem-estar financeiro, e 25% admitiram deixar de pagar alguma conta para obter recursos destinados às bets. O utros 24% relataram ter sido negativados pelo SPC Brasil devido ao engajamento nas apostas, enquanto 11% mantêm o nome sujo. Adicionalmente, 37% tentaram ao menos uma vez reduzir ou interromper a frequência das apostas sem êxito.
Mais de 50 milhões de brasileiros nas capitais estão envolvidos com apostas online, representando uma alta de 10,5 milhões em relação ao ano anterior e superando metade da população adulta do país.
Repercussões Institucionais e Desafios para a Regulação
A publicação do levantamento coincide com o calendário eleitoral, no qual o presidente Lula anunciou medidas rigorosas contra a divulgação irregular de bets, propondo penas que podem chegar a seis anos de prisão para quem disseminar jogos de azar online de forma ilícita. Esse posicionamento reforça a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes para conter a expansão desenfreada do setor. O presidente da CNDL, José César da Costa, destacou que o crescimento das apostas transcende o entretenimento digital e se configura como uma crise de saúde pública e desestruturação social quando compromete a renda familiar e gera conflitos profundos nos lares.
Diante desse cenário, a urgência por regulamentações mais restritivas e campanhas educativas contínuas torna-se evidente. Embora a procura por apoio institucional tenha crescido de 21% para 30%, sendo voltada majoritariamente a parentes e grupos de apoio ao vício em jogos, cerca de 69% dos indivíduos com problemas ainda não buscam nenhum tipo de suporte especializado.



