O Ministério Público de São Paulo formalizou nesta sexta-feira, 16 de outubro, o pedido de prisão preventiva do vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça, no âmbito da investigação que apura o 'escândalo das camisas', suspeito de desvios financeiros e logísticos envolvendo uniformes do clube, após a demissão do ex-diretor de Tecnologia da Informação Marcelo Munhoes, chave testemunhal do caso, cuja exoneração, ocorrida em vésperas da audiência de instrução marcada para 10 de novembro, intensificou os questionamentos sobre possíveis tentativas de obstrução à apuração.
Contexto Institucional e Procedimental da Investigação
A 25ª Vara Criminal recebeu formalmente o requerimento do Ministério Público paulista, que sustenta que Armando Mendonça, em seu cargo de vice-presidente esportivo do Corinthians, teria participação ativa na distribuição irregular de materiais esportivos, com indícios de repasse indevido de uniformes e equipamentos ao mercado paralelo. A denúncia se apoia em laudos técnicos apresentados por Marcelo Munhoes, ex-diretor de TI do clube, que analisou registros de entrada e saída de material esportivo e identificou discrepâncias entre o volume documentado e o efetivamente disponibilizado ao time e à estrutura administrativa.
Antecedentes revelam que o chamado 'escândalo das camisas' já havia mobilizado investigações prévias do MP sobre supostos desvios em contratos de fornecimento com a Nike, principal fornecedora dos uniformes do clube desde 2018, com apurações indicativas de valores superiores aos praticados no mercado e ausência de justificativas técnicas para excesso de produção ou aquisição.
A denúncia do MP visa coibir desvios que chegaram a superar R$ 2 milhões em contratos suspeitos de uniformes esportivos movimentados por intermediários ligados ao Corinthians.
Repercussão Política e Desdobramentos Jurídicos
A defesa de Armando Mendonça classificou o pedido como abusivo e reiterou que a demissão de Marcelo Munhoes é decisão exclusiva do presidente O smar Stábile, destacando que o ex-diretor havia se candidatado a uma chapa de oposição para a eleição corporativa do clube, fato que teria motivado o suposto alinhamento político por trás da exoneração. O s advogados ainda acusam o promotor Cássio Conserino de parcialidade, baseando-se em diálogos públicos com figuras da oposição política ao atual comando do Corinthians.
Com a prisão preventiva ainda não concedida, o caso segue em pauta na 25ª Vara Criminal, onde a Justiça deve avaliar os argumentos sobre coação processual e o risco efetivo à continuidade das investigações caso Mendonça seja formalmente detido.
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