Em São Paulo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou ter utilizado recursos de campanha via Pix para repasses a familiares, afirmando que os pagamentos ocorreram entre janeiro e junho, período anterior ao início da vaquinha do Pix, que teve início em meados de junho, conforme relatado durante entrevista concedida à imprensa na sede da Prefeitura de São Paulo após almoço com o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Apuração do Coaf e Contextualização das Transações Financeiras
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou repasses somando R$ 170 mil efetuados por Bolsonaro entre janeiro e junho, incluindo R$ 56 mil a Michelle Bolsonaro, R$ 77 mil à síndica Leda Maria Marques Crivelatti, R$ 12 mil ao tenente O smar Crivelatti e R$ 14 mil à lotérica Jonatan e Felix, conforme consta em relatório técnico do órgão vinculado ao Ministério da Economia.
Antecedentes indicam que as transferências foram realizadas antes da formalização da campanha de doações via Pix, movimento que o ex-presidente classificou como iniciado apenas em junho, embora registros bancários apontem movimentações anteriores a essa data, levantando questionamentos sobre a origem e a destinação dos recursos.
Foram identificados repasses somando R$ 170 mil efetuados por Bolsonaro entre janeiro e junho a familiares e terceiros, conforme constatação do Coaf.
Investigação da CPI e Desdobramentos Jurídicos
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura os ataques de 8 de janeiro formalizou pedido à Procuradoria-Geral da República para investigar suposto uso indevido de recursos públicos e privados vinculados ao ex-presidente, com base em comunicações obtidas por meio de perícia digital envolvendo Mauro Cid.
Especialistas em direito eleitoral e financeiro apontam que a caracterização desses repasses como parte da arrecadação de campanha pode configurar irregularidade na prestação de contas, dependendo da comprovação de vínculo com atividades políticas realizadas após o término do período eleitoral.



