Na noite de 20 de outubro, a jornalista Jade Abreu, do, recebeu o Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo na categoria multimídia por sua reportagem "Um Brasil que desmorona", que expôs a crítica e generalizada deterioração da infraestrutura rodoviária nacional, com foco no desabamento da ponte Juscelino Kubitschek em 2024, cujas consequências se estenderam por quatro estados brasileiros.
A Apuração Investigativa e a Escala Nacional do Problema
A reportagem, que percorreu 9.057,8 quilômetros ao longo de 2024, abarcou Amazonas, Maranhão, Rio Grande do Sul e Tocantins, onde a jornalista Abreu e o fotógrafo Breno Esaki entrevistaram populações vulneráveis — caminhoneiros, comerciantes, famílias enlutadas e moradores de cidades isoladas — para documentar os impactos sociais e econômicos do colapso da ponte Juscelino Kubitschek. A investigação, baseada em dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), revelou que 775 estruturas das rodovias federais se encontram em estado ruim ou crítico, evidenciando uma crise sistêmica de manutenção que extrapola o âmbito local.
Além do caso da ponte Juscelino Kubitschek, a matéria demonstram que a deficiência na recuperação de rodovias federais tem sido sistematicamente negligenciada: o investimento anual médio foi 40% inferior ao recomendado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) nos sete anos anteriores à publicação da reportagem, agravando a fragilidade das conexões logísticas do país.
775 estruturas das rodovias federais encontram-se em estado ruim ou crítico, enquanto o investimento na recuperação rodoviária ficou 40% abaixo do recomendado pelo Dnit nos sete anos anteriores à publicação da reportagem.
Repercussão Institucional e Desafios para a Política de Infraestrutura
Em resposta à publicação, o Ministério da Infraestrutura informou que está revisando o Plano Nacional de Desenvolvimento de Rodovias (PNDR) para priorizar ações emergenciais nas rodovias classificadas em situação crítica, com ênfase nas rotas que integram corredores estratégicos como o norte-nordeste e o sul-sudeste.
Especialistas apontam que a falta de fiscalização efetiva e a alocação inadequada de recursos têm contribuído para a degradação acelerada da malha viária, exigindo uma reforma estrutural nos mecanismos de gestão e financiamento da infraestrutura transportes.



