Um levantamento abrangente conduzido pelo Instituto RME, em parceria com a Rede Mulher Empreendedora, revela que 9 milhões de empresas ativas no Brasil são lideradas por mulheres, sendo 32% em situação de informalidade, o que as afasta de garantias financeiras, jurídicas e assistenciais, enquanto 54,7% delas iniciam atividades motivadas pela necessidade e 78% das empreendedoras mães já haviam sido madres antes de abrir seus negócios.
Contexto Institucional e Desafios Estruturais do Empreendedorismo Feminino
O estudo, baseado em pesquisa com 1.176 empreendedoras de todas as regiões do país, demonstra que a informalidade persiste como barreira estrutural, limitando o acesso a crédito, proteção legal e assistência técnica, enquanto a ausência de redes de apoio pessoal — afetando 75% das entrevistadas — obriga a maioria a interromper atividades para cuidar dos filhos, evidenciando a sobrecarga da chamada 'economia do cuidado'.
Além disso, a falta de preparo técnico nas áreas de marketing, gestão de custos, precificação e finanças constitui um dos principais gargalos para a consolidação desses negócios, conforme apontam os dados da pesquisa.
Mais de 80% das entrevistadas interrompem suas atividades empresariais para cuidar dos filhos, sendo 3 em cada 4 sem rede de apoio pessoal.
Repercussão Jurídica e Estratégias para Formalização e Sustentabilidade
A Rede Mulher Empreendedora e o Instituto RME destacam a necessidade urgente de políticas públicas que incentivem a formalização, já que 31,9% das empreendedoras não possuem CNPJ, sendo 38,9% das que estão informais que consideram o custo como principal impedimento à regularização.
A especialista Ana Fontes defende a separação entre finanças pessoais e empresariais como pilar fundamental para a gestão responsável, propondo conta bancária exclusiva para a empresa e pró-labore fixo para garantir estabilidade financeira e evitar a 'drenagem do caixa' causada por mistura indiscriminada de despesas.



