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Economia

Proposta de Lara Resende para redução da Selic gera preocupações no mercado financeiro

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 19:33
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Proposta de Lara Resende para redução da Selic gera preocupações no mercado financeiro
Fatos Rápidos da Notícia
  • Lara Resende propõe reduzir Selic de 13,75% para 7,5% em até um ano
  • Criação de conselho fiscal e monetário reduziria autonomia do Banco Central
  • Uso de reservas internacionais para conter dólar pode acelerar fuga de capitais
Resumo Editorial

Economista do Plano Real sugere mudanças na política monetária e fiscal, incluindo corte drástico de juros e uso de reservas internacionais, mas analistas alertam para riscos de inflação e perda de autonomia do Banco Central.

André Lara Resende, um dos idealizadores do Plano Real, apresentou propostas para alterar a condução da política econômica e monetária do Brasil. As medidas ganharam destaque após informações de que ele se reuniu com o presidente Lula, causando apreensão entre economistas e agentes do mercado financeiro.

Entre as sugestões está a redução da taxa Selic de 13,75% para 7,5% em até um ano, com manutenção posterior dos juros entre 3,5% e 5,5%. Outro ponto polêmico é a criação de um conselho fiscal e monetário para definir as metas do Banco Central, o que, segundo Lucinda Pinto, retiraria da instituição a liberdade para tomar decisões impopulares necessárias à convergência da inflação.

A proposta também sugere utilizar as reservas internacionais, atualmente em cerca de US$ 360 bilhões, para conter a alta do dólar em cenários de fuga de capitais. Lucinda alerta que essa estratégia pode acelerar a saída de investidores e que as reservas se esgotariam rapidamente se usadas com esse fim.

Lara Resende argumenta que a elevada conta de juros é a principal causa do crescimento da dívida pública e que suas medidas gerariam uma economia de 4% do PIB ao ano. Com isso, o déficit total, hoje próximo de 9% do PIB incluindo juros, cairia para 6% do PIB.

Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, elogiou as medidas e acrescentou propostas focadas na receita, como corte de gastos tributários e maior fiscalização contra sonegação. No entanto, Thais Herédia ressalta que essas iniciativas não atacam o crescimento da despesa obrigatória.

Analistas moderados apontam que o ajuste deve vir do controle das despesas obrigatórias, como revisão das regras de acesso a benefícios sociais. Samuel Pessôa, economista da FGV, afirmou que essas despesas crescem duas a três vezes mais rápido que o PIB.

No mercado financeiro, predomina a avaliação de que a proposta heterodoxa é improvável de ser implementada. Ainda assim, persiste o receio sobre a lentidão nas definições da política econômica diante do avanço da relação dívida-PIB.

Lucinda Pinto conclui que existe a possibilidade de o ajuste fiscal ser feito pela inflação, já que a desvalorização da moeda reduziria naturalmente os gastos do governo.

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