André Lara Resende, um dos idealizadores do Plano Real, apresentou propostas para alterar a condução da política econômica e monetária do Brasil. As medidas ganharam destaque após informações de que ele se reuniu com o presidente Lula, causando apreensão entre economistas e agentes do mercado financeiro.
Entre as sugestões está a redução da taxa Selic de 13,75% para 7,5% em até um ano, com manutenção posterior dos juros entre 3,5% e 5,5%. Outro ponto polêmico é a criação de um conselho fiscal e monetário para definir as metas do Banco Central, o que, segundo Lucinda Pinto, retiraria da instituição a liberdade para tomar decisões impopulares necessárias à convergência da inflação.
A proposta também sugere utilizar as reservas internacionais, atualmente em cerca de US$ 360 bilhões, para conter a alta do dólar em cenários de fuga de capitais. Lucinda alerta que essa estratégia pode acelerar a saída de investidores e que as reservas se esgotariam rapidamente se usadas com esse fim.
Lara Resende argumenta que a elevada conta de juros é a principal causa do crescimento da dívida pública e que suas medidas gerariam uma economia de 4% do PIB ao ano. Com isso, o déficit total, hoje próximo de 9% do PIB incluindo juros, cairia para 6% do PIB.
Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, elogiou as medidas e acrescentou propostas focadas na receita, como corte de gastos tributários e maior fiscalização contra sonegação. No entanto, Thais Herédia ressalta que essas iniciativas não atacam o crescimento da despesa obrigatória.
Analistas moderados apontam que o ajuste deve vir do controle das despesas obrigatórias, como revisão das regras de acesso a benefícios sociais. Samuel Pessôa, economista da FGV, afirmou que essas despesas crescem duas a três vezes mais rápido que o PIB.
No mercado financeiro, predomina a avaliação de que a proposta heterodoxa é improvável de ser implementada. Ainda assim, persiste o receio sobre a lentidão nas definições da política econômica diante do avanço da relação dívida-PIB.
Lucinda Pinto conclui que existe a possibilidade de o ajuste fiscal ser feito pela inflação, já que a desvalorização da moeda reduziria naturalmente os gastos do governo.



