Na madrugada da sexta‑feira, 28 de agosto, a cantora Ana Castela encerrou a Festa do Peão de Barretos após participar de apresentação em São Fidélis, no Rio de Janeiro, onde recebeu cachê de R$ 850 mil, valor bancado por verba federal vinculada a uma emenda parlamentar da Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados.
Contexto Institucional e Evidências Financeiras da Atuação
A apuração realizada pelo demonstrou que o cachê apresentado em São Fidélis foi integralmente financiado com recursos federais, provenientes da emenda de R$ 1 milhão apresentada pela Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados e solicitada pela deputada Dani Cunha (PL), filha do ex‑presidente da Casa, Eduardo Cunha. O repasse ocorreu por meio da Boiadeira Music, que celebrou 26 contratos com prefeituras em 2026, totalizando R$ 22,6 milhões em honorários para a sertaneja.
Nos registros do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), constata‑se que o contrato celebrado com a prefeitura de Nova Belém, município de 3 mil habitantes, corresponde a R$ 900 mil – equivalente a 8,7 % dos R$ 10,34 milhões recebidos em repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) no corrente exercício.
Ana Castela recebeu R$ 22,6 milhões em contratos com prefeituras em 2026, incluindo R$ 900 mil da prefeitura de Nova Belém, que corresponde a 8,7 % dos repasses federais do município.
Repercussão Jurídica e Diretrizes Futuras
A publicação das informações gerou intenso debate nas comissões parlamentares e entre os órgãos de controle da União, que sinalizaram a necessidade de investigar eventuais irregularidades na utilização de recursos públicos para fins particulares. O Ministério Público Federal e a Controladoria‑Geral da União já requisitaram acesso aos documentos que comprovem a origem e a destinação dos valores.
Diante do cenário, a artista deve esclarecer a legitimidade dos pagamentos e o governo municipal de Nova Belém deve avaliar a necessidade de revisar contratos que comprometem expressivamente sua participação orçamentária no FPM.



