O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) espera retomar a normalidade nas relações com os Estados Unidos após as eleições presidenciais no Brasil e o pleito de meio de mandato norte-americano. Segundo auxiliares do petista, as tensões acumuladas entre os países nos últimos meses tiveram como pano de fundo o interesse no processo eleitoral brasileiro e uma possível mudança na gestão dos EUA.
Entre os pontos de conflito citados estão o tarifaço e a restrição a vistos de autoridades. Para aliados, a vitória de Lula nas urnas reduz o horizonte para novas ações por parte dos Estados Unidos, não havendo motivos para o governo Trump “dobrar a aposta” contra o Brasil.
A tendência apontada por esses auxiliares é a abertura de uma janela de oportunidade para uma “normalização pragmática” da relação entre os países. Isso significa que, apesar das divergências ideológicas, os governos devem buscar trabalhar a partir de interesses em comum.
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA, as chamadas midterms, também deve contribuir para a melhora no ambiente político. A avaliação é que um Congresso de maioria democrata será mais receptivo a pautas da política externa brasileira, como a questão climática e das big techs.
O legislativo norte-americano ainda pode atuar para conter possíveis novas investidas contra o Brasil e fazer andar propostas de cooperação que estão paradas. Aliados lembram que o Ministério da Justiça enviou aos EUA um pedido de cooperação para rastrear a movimentação financeira e o destino dos recursos do fundo Havengate, alvo de investigação no caso Dark Horse, mas o tema não avançou.



