Deflagrada em 10 de setembro, a O peração Circuito dos Metais, coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a O rdem Tributária (DOT), desmantelou uma intrincada rede empresarial que movimentou R$ 107 milhões em recursos do setor de sucatas por meio de sonegação fiscal e lavagem gratuita, envolvendo holdings, locações de veículos e empresas de fachada criadas especificamente para ocultar a verdadeira titularidade de bens e dificultar o rastreamento financeiro.
Arquitetura Estrutural do Esquema Fraudulento
A apuração conduzida pela DOT revelou uma estrutura corporativa meticulosamente concebida para disseminar recursos entre pessoas físicas e jurídicas sem deixar rastros, com base em empresas fictícias registradas em diferentes unidades da federação, sendo uma delas sediada no Distrito Federal e aberta em julho de 2020, cuja inexistência legal foi confirmada após o cancelamento do registro por inexistência de fato e ausência total de conta bancária.
Conforme investigações técnicas e cruzações de dados financeiros, o grupo identificou a utilização coordenada de CNPJs de fachada, como o registrado em São Paulo que recebeu mais de R$ 100 milhões entre 2020 e 2024, para repassar R$ 107 milhões ao setor de sucatas, com foco na criação de empresas intermediárias que operavam sob controle comum de sócios e responsáveis legais, utilizando estruturas incompatíveis com o volume das transações — como a inexistência de empregados ou instalações físicas – para dificultar a identificação dos beneficiários reais e a aplicação da lei tributária.
Mais de R$ 107 milhões circulavam em operações suspeitas no setor de sucatas por meio de estrutura empresarial criada para soneção fiscal e lavagem de dinheiro.
Consequências Jurídicas e Desdobramentos Imediatos
A Justiça Federal autorizou o sequestro preventivo de bens e valores superiores a R$ 56 milhões, incluindo uma aeronave de R$ 8 milhões, seis veículos de luxo e um imóvel localizado no Distrito Federal, além de ativos financeiros mantidos em instituições bancárias e investimentos diversificados que compunham o patrimônio dos suspeitos.
As manifestações oficiais destacam o compromisso institucional com a proteção da ordem tributária: segundo comunicado da DOT, a operação visa coibir o prejuízo aos cofres públicos do Distrito Federal causado pelo esquema estruturado de soneção fiscal, com reforço na apuração das responsabilidades civis e penais dos envolvidos, enquanto as autoridades competentes sinalizam que os processos seguirão com base nos artigos 171 (sonegação fiscal) e 154 (lavagem de dinheiro) do Código Penal.



