A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) fechou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 616 milhões, o maior já registrado pela empresa em um único trimestre. O valor representa um aumento de 366% em relação ao mesmo período do ano anterior e foi influenciado por um benefício econômico de R$ 526 milhões proveniente da renegociação e liquidação antecipada de obrigações de Uso do Bem Público (UBP), viabilizada por pagamento líquido de R$ 262 milhões nos termos da Lei nº 15.235/2025; após tributos, o ganho líquido dessa operação somou R$ 315 milhões.
A receita líquida consolidada alcançou R$ 2,7 bilhões, o maior patamar trimestral da história da companhia, com crescimento de 18% na comparação anual, sustentado por maiores preços realizados do alumínio e por uma participação mais expressiva de produtos de maior valor agregado nas vendas. O Ebitda ajustado totalizou R$ 565 milhões, alta de 142% frente ao terceiro trimestre de 2025, e a margem Ebitda ajustada passou de 10% para 21%, refletindo a evolução operacional do negócio e a redução do impacto negativo de contratos futuros e derivativos de energia, que caiu de R$ 208 milhões para R$ 47 milhões.
O preço médio do alumínio na London Metal Exchange (LME) foi de US$ 3.226 por tonelada, alta anual de 23%. Embora os preços tenham recuado 9,7% em relação ao segundo trimestre, permaneceram em patamares historicamente elevados, sustentados por baixos estoques globais, recuperação gradual da demanda chinesa e restrições de oferta fora da China. O CEO Luciano Alves afirmou à Broadcast que a companhia não prevê quedas abruptas na cotação da commodity e avalia que a retomada parcial da produção no Oriente Médio não deve ter impacto relevante nos preços, enquanto novas capacidades da Indonésia devem entrar de forma gradual.
A dívida líquida encerrou setembro em R$ 2,8 bilhões, redução de 16% frente ao mesmo período do ano anterior, e a alavancagem financeira recuou para 1,38 vez. A CFO Camila Abel considerou o nível atual de endividamento confortável para suportar períodos de alta do dólar — moeda em que está denominada cerca de 80% da dívida — e afirmou que a estrutura financeira deixa a empresa preparada para novos investimentos quando surgirem oportunidades. A CBA também aguarda a conclusão da venda do controle pelo Grupo Votorantim para a joint venture entre a chinesa Chinalco (Chalco) e a Rio Tinto.
Segundo Alves, o assunto da mudança acionária é tratado com tranquilidade enquanto a empresa foca em ganhos de produtividade.



